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Espetáculo “68” é inspirado em momentos fundamentais da luta contra a ditadura

Com direção de Luiz Paixão dramatiza episódios que marcaram a resistência do povo brasileiro, com foco nas experiências vividas em Belo Horizonte; Montagem estreia nesta sexta-feira, 27 de setembro, no Teatro Marília
Por Redação Feira Cultural

“’68’ não é um espetáculo sobre a ditadura. É um espetáculo sobre pessoas que viveram o período ditatorial no Brasil”. Desta forma, Luiz Paixão, responsável pelo texto, direção, iluminação, cenário, figurino e trilha sonora da peça, nos insere no universo de sua mais recente montagem. O espetáculo discute as questões tomadas pelo imaginário das pessoas que testemunharam a ditadura militar brasileira. Para aprofundar o diálogo, o projeto contempla, também, a exibição de curtas sobre o tema e um debate “a ditadura militar e os reflexos políticos e ideológicos na atualidade brasileira”.

A montagem estreia nesta sexta-feira (27) e segue em cartaz no sábado (28) e no domingo (29), no Teatro Marília, As sessões ocorrem às 20h, na sexta e no sábado, e às 19h, no domingo. Os ingressos custam R$ 44 (inteira) e R$ 22 (meai-entra), à venda na bilheteria do teatro. Também podem ser adquiridos de forma antecipada, por R$ 21, neste link.

Há mais de 40 anos atuante na área dramatúrgica, Luiz Paixão tem como forte característica em seus trabalhos a preocupação em exercer um vínculo direto entre o teatro e a realidade histórica. Para o diretor, além do resgate de fatos e memórias, o teatro tem a função de explicitar a relação dialética entre passado e presente: “gostaria que, ao assistir a peça, o público compreenda que passado e presente não estão separados. O passado é parte do presente e o presente é produto deste passado. Só assim, criando essa consciência, é que teremos condições de seguir como força atuante dentro da sociedade”, pontua.

 

 

Montagem é ambientada na capital mineira © Fernando Barbosa e Silva

 

Durante o desenrolar da trama, é possível notar claras referências à atualidade brasileira. Ao dramatizar conversas entre familiares, diálogos ocorridos em âmbito escolar e diversas outras situações cotidianas, o diretor estabelece nítidas relações entre as pautas que permeavam o imaginário coletivo na época do regime militar e as questões levantadas pelo senso comum atual.

“Durante a ditadura era possível observar um certo nível de paranóia que as pessoas passaram a viver a partir de uma repetição do discurso oficial implementado pelo governo. E isso começou a mudar o comportamento das pessoas. Atualmente é possível observar que os ideais da ditadura militar estão completamente arraigados ideologicamente no discurso presidencial. E é possível ver, também, parte da população não somente assimilando como repetindo esse discurso, assim como aconteceu no passado. Ao ver em cena os temas tratados pelo espetáculo, o público irá perceber que são os mesmos temas levantados pelo presidente brasileiro”, conta Paixão.

Para provocar no público a reflexão acerca do tema e das questões abordadas em cena, o espetáculo “68” se apoia nas teorias do teatro épico-dialético de Bertolt Brecht. Nesta linha, a peça se estrutura de modo que provoque certo distanciamento emocional no público para que haja maior estímulo à reflexão crítica. O cenário é composto unicamente por seis cadeiras que se movimentam e formam desenhos específicos que funcionam como elementos simbólicos de determinadas relações que se estabelecem entre os personagens e a história.

Todo o enredo é encenado por 6 atores que permanecem em cena durante todo o espetáculo, “o fato dos atores estarem em cena o tempo inteiro mostra exatamente essa relação dialética que Brecht pretende com o teatro. Ou seja, ao estarem em cena durante toda a peça , os atores estão mostrando, primeiramente, que são atores apresentando uma peça com determinado intuito reflexivo”, explica o diretor.

Para além das seis cadeiras que tomam diversas formas ao longo da trama, os próprios corpos dos atores funcionam como uma espécie de cenário humano. A posição, postura e movimentação dos atores que não participam objetivamente da cena em questão, formam um pano de fundo para o desenvolvimento da fábula. Em “68” o elenco se apresenta não somente como “ator personagem”, mas também como “ator cenário”.

A escolha de localizar a história em Belo Horizonte se deu após constatar o importante papel político da cidade na luta contra a ditadura. A capital mineira foi palco de importantes manifestações e berço de movimentos que lutaram ativamente contra o fim da repressão militar. Resgatar essas memórias da cidade é uma forma de contar parte da história de Belo Horizonte para as gerações mais novas.

Para aprofundar a discussão, o projeto conta ainda com a exibição gratuita de dois curta metragens produzidos por cineastas belorizontinos e um debate. Na sexta-feira (27), o curta “Pastores Desavisados” (1968), de Ricardo Teixeira Salles, será exibido antes do espetáculo, às 20h. Pastores Desavisados foi o primeiro curta metragem a ser censurado na década de 1960. No sábado (28), o público poderá conferir o curta “Interregno” (1967), de Flávio Werneck, também antes da apresentação do espetáculo, marcada para 20h. A curadoria cinematográfica é assinada por Bruno Hilário.

No domingo (29), o diretor da peça, Luiz Paixão, convida o membro da Rede Internacional de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade – Capítulo Brasil, Betinho Duarte, a Deputada Federal, Jô Moraes, e o professor doutor, Juarez Guimarães, para debater o tema “A ditadura militar e os reflexos políticos e ideológicos na atualidade brasileira”. O debate será aberta ao público e irá ocorrer após a peça.

Crédito da imagem em destaque: Fernando Barbosa e Silva

Serviço:
Espetáculo “68”
Data:
27/9 e 28/9, às 20h; 29/9, às 19h
Local: Teatro Marília
Endereço: Av. Prof. Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia
Ingressos: R$ 44 (inteira) e R$ 22 (meia-entrada) – vendas online
Informações: (31) 3277-4697