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Após quase fechar as portas, TransVest planeja criação de casa para pessoas trans e travestis

ONG belo-horizontina conseguiu manter suas atividades após iniciar campanha de financiamento coletivo
Por Redação Feira Cultural

Durante quatro anos, a TansVest deu aulas regulares de supletivo e pré-vestibular diariamente, com turmas cheias, em uma sala do Edifício Maletta, no centro da capital. Oficinas profissionalizantes e artísticas também estiveram em pauta. Como resultado, muitas pessoas trans em universidades, novos empregos e oportunidades. Mas a ONG que muda a vida de tantos em BH e região quase fechou as portas, por conta das dificuldades financeiras em manter as atividades regulares.

ONG atua diretamente na educação e formação de pessoas trans e travestis © Carlos Oliveira

Começava, então, um projeto para começar a arrecadar recursos por meio de financiamento coletivo, para que a solidariedade ajudasse a TransVest a continuar mudando a realidade das ditas minorias. No Brasil, cerca de 90% das travestis e transexuais vivem da prostituição, ficando sob perigos diários de morte e infecções sexualmente transmissíveis. A expectativa de vida de pessoas trans no país é de apenas 35 anos. Só em 2017 cerca de 179 transgêneros foram assassinadas por transfobia.

“Somos um projeto artístico-pedagógico que objetiva combater a transfobia e incluir travestis, transexuais e transgêneros na sociedade. Já estamos no nosso quarto ano de trabalho em Belo Horizonte/MG e precisamos de ajuda.” explica Duda Salabert, fundadora da TransVest e primeira candidata travesti a concorrer a disputa pelo Senado por Minas Gerais em 2018.

O projeto pedagógico oferece, além das aulas preparatórias para o Enem e Encceja, oficinas educativas e eventos culturais. Com o tempo, o projeto ganhou novos núcleos, como o ensino de idiomas, as aulas de defesa pessoal e o apoio jurídico. O perfil das (os) estudantes reflete o contexto de precariedade enfrentando pelas pessoas trans no Brasil, sendo frequentes trajetórias marcadas pela expulsão de casa, evasão escolar e exclusão do mercado de trabalho formal.

“A necessidade de oferecer um espaço educativo de acolhimento é muito importante dadas as dinâmicas de violência e exclusão radical a que as pessoas trans estão sujeitas nas instituições de educação formal”, completa Duda. Por meio de um financiamento coletivo na Evoé, conseguiram não só alcançar a meta mas arrecadar verba para novos projetos.

Próxima meta é conseguir doações para construção da Casa TransVest © Carlos Oliveira

“Fico muito feliz com o sucesso dessa campanha, mostra como a causa trans é sim assunto urgente para muitos”, comenta Bruna Kassab, diretora da Evoé. Ela afirma que em Belo Horizonte, a TransVest tem a campanha mais bem-sucedida do momento, inclusive se comparada a outras plataformas de financiamento coletivo. “As doações chegam de todas as partes do país”, completa.

“No meio de tanta coisa, tanta luta, tantas ameaças (até contra a vida de alunes e voluntaries) continuamos resistentes. Mesmo com um país violento e assassino contra pessoas LGBT (agora mais ainda com a maioria dos governantes LGBTfóbicos) e mesmo com o medo tomando conta do nosso cotidiano (agora ainda mais), estivemos sempre de peito aberto”, conta Bruno Uno, da comunicação da TransVest.

A meta agora é viabilizar a “Casa TransVest”, um abrigo para pessoas trans e travestis. “Recebemos todos os dias mensagens de diversas trans/travestis de todo canto de Minas dizendo que ouviram falar da gente, que foram expulsas de casa e que precisam de lugar. A gente precisa pra fazer esse lugar acontecer, de alcançar a nossa meta! Precisamos viabilizar que várias mulheres e homens trans expulsos de seus lares todos os dias, tenham um lugar onde se apoiarem”, explica Bruno.

Atualmente, a TransVest conta com poucos recursos para sobreviver e manter suas atividades. Por meio do financiamento coletivo, a ONG pretende arrecadar, mensalmente, cerca de R$ 20 mil. Neste link, é possível acompanhar o montante acumulado pelas doações, que podem ser feitas por qualquer pessoa e têm o valor mínimo de R$ 10.

 

Crédito da imagem em destaque: Carlos Oliveira

Saiba mais em:
evoe.cc/transvest