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Luna Lunera comemora aniversário com apresentação de novo espetáculo

“E Ainda Assim se Levantar” celebra os 18 anos da companhia mineira de teatro; Montagem fica em cartaz de 16 de agosto a 9 de setembro, no CCBB
Por Redação Feira Cultural

Em 2019, a Cia. Luna Lunera comemora 18 anos com a estreia do espetáculo E Ainda Assim se Levantar. Com direção de Isabela Paes, o ponto de partida para a criação do espetáculo, que celebra a maioridade da Companhia, foi o projeto de pesquisa “a potência da precariedade”, que durante todo o processo de criação levantou questões que buscam identificar como podemos encontrar força em situações de eminente esgotamento, pessoal, social ou político.

Peça questiona como podemos nos erguer em situações de esgotamento © Kika Antunes

O espetáculo vai ocupar o Teatro 1 do CCBB a partir de sexta-feira (16) e cumpre temporada até 9 de setembro (segunda-feira). As sessões ocorrem de sexta a segunda, às 20h10. Os ingressos já estão disponíveis para venda na bilheteria do teatro ou neste link e custam R$ 30 (inteira).

Com atuação de Anderson Luri, Cláudio Dias e Letícia Castilho, o espetáculo aposta na reconfiguração da proposta de história, personagens e cenário para dar lugar à potência dos corpos como principal instrumento de criação. “Queremos abdicar da teatralidade para encontrar o que o teatro possui de mais potente: a possibilidade de explorarmos atravessamentos que só acontecem na copresença”, explica Isabela Paes.

De onde podemos encontrar forças quando parece que não podemos aguentar mais? Momentos assim são paradoxais. Como dizia o poeta Holderlin, onde mora o perigo, é lá que também cresce o que salva. Essa é uma das reflexões que motivaram a criação do espetáculo. E é preciso defender o que nos salva, defender nossa alegria.

A musicalidade do espetáculo – executada pelos próprios atores que cantam e tocam instrumentos percussivos – é um dos principais recursos que apontam o caminho. Cláudio Dias explica que “buscamos na valorização da alegria, por meio da música e do carnaval, uma forma de respiro potente como maneira de apoiar nosso movimento de sobrevivência.”

Processo criativo
Durante os últimos meses, os trabalhos de criação de E Ainda Assim se Levantar foram intensos na sala de ensaio. Como todos os processos criativos da Cia. Luna Lunera, os questionamentos apresentados pelos atores foram conduzindo os trabalhos. Se em espetáculos anteriores essas questões estavam relacionadas a uma dimensão mais íntima, nessa nova produção o ambiente é mais amplo, expondo situações que nos afetam social e politicamente. Cada ator traz consigo não só seus dramas pessoais, trazem todo esse contexto que dividimos.

Trazem o que viver neste aqui e neste agora constrói e deforma em seus corpos e subjetividades. Trajetórias e conflitos diferentes, mas um grande cansaço em comum. Encontram-se para tentar juntos não desistir, encontrar forças. Decidem tentar criar algo, realidade e ficção se fundem todo o tempo. Sentem o cerco se fechar, parece que a noite será longa. Compartilham a quase exaustão, mas cada um encontra no outro e no jogo das relações, faíscas de alegria que teimam em aparecer. E da promessa íntima de não se entregar surgem forças para continuar um pouco mais.

O espetáculo promove um encontro mediado por três pessoas: um homem jovem, uma mulher e um homem maduro. O Homem Jovem parece sempre estar no caminho certo, rumo ao sucesso, à vitória, à realização. O topo. Mas, na própria corrida sem tréguas, sente que se perdeu no fundo de tanto otimismo e certeza. Todos os dias, ele tem vontade de chorar. Tenta entrar em contato com o menino que pede colo dentro dele. Tenta quebrar a máscara de ferro moldada para esse homem. Tenta desfazer os inúmeros nós em sua garganta.

A Mulher não consegue identificar ao certo de onde vem o cansaço. Cansada de ter que provar tudo o tempo todo. Cansada de ter que ser forte para conseguir ser ouvida. Cansada de ter que mostrar que não quer ser objeto de desejo. Cansada de chorar todos os dias. Cansada de ter que trabalhar tanto. Cansada de ter que vestir um personagem na vida. Mas ela também não vai desistir. Seria como perder-se de si mesma. Encontra no outro, no jogo, nesse encontro aqui e agora e em sua própria voz as faíscas que a reacendem. E, às vezes, por breves momentos, conseguimos vê-la por inteiro. Sabe que é preciso defender a alegria.

Montagem cumpre temporada de 16/8 a 1º/9 no CCBB © Kika Antunes

O Homem Maduro sempre ia à frente, mas está cansado da luta, cansado dos golpes. Parece difícil continuar sendo artista, gay, ativista, mas ele não sabe ser outra coisa senão ele mesmo. A caminhada foi longa e sente a idade, o corpo envelhecendo, as inúmeras derrotas. Pensa em desistir. Não consegue nem mais chorar. A morte ronda. Mas para ele talvez não tenha outra saída, enquanto estiver vivo vai insistir em viver. Insiste pelo toque. Tocam-se os corpos. Tocam-se os tambores. Renasce pela música, mas sabe que a cada dia deverá renascer novamente, insistir. A batalha não está ganha. Ao contrário, está longe de terminar.

Como encontrar forças para seguir em frente? Como manter a esperança e o desejo com todas as ameaças no futuro? Como ainda ajudar e ouvir o outro quando se está prestes a cair? Como continuar quando nossos corpos não aguentam mais? Como ainda acreditar quando o discurso de ódio nos cerca? Como podemos encontrar o que nos une quando as lembranças que voltam expressam o que nos dividiu profundamente? Como fazer teatro quando a palavra se tornou perigosa? Não temos respostas, mas sabemos que não vamos desistir.

Luna Lunera 18 anos
Criada em 2001, a Cia. Luna Lunera é hoje considerada um dos expoentes do teatro brasileiro contemporâneo. Vem despertando interesse e reconhecimento pelo desenvolvimento de um método próprio de criação compartilhada, no qual os espetáculos surgem de uma série de encontros, pesquisas e improvisações, e onde os lugares tradicionalmente destinados ao diretor, ao ator, ao dramaturgo e ao público são completamente redefinidos.

A Cia. realizou mais de mil apresentações, levando mais de 200 mil pessoas aos teatros do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, França, México, Panamá, Portugal, Uruguai e Venezuela. Além do seu reconhecimento artístico, a Luna Lunera vem se tornando uma referência na formação profissional e de público, através de inúmeras ações de trocas de experiência, democratização do acesso à arte e ampliação dos seus circuitos de exibição.

A principal atividade da Luna Lunera é a criação e circulação de espetáculos autorais, com estética acentuadamente contemporânea. A Cia. investe em diversos caminhos de criação através da pesquisa e diálogo com outros criadores contemporâneos do teatro, da dança, da música e das artes visuais e digitais, abrindo seus processos criativos para o público, tornando-o cocriador. Consolidou parcerias que possibilitaram projetos de grande envergadura: o CCBB Centro Cultural Banco do Brasil financiou a criação e circulação dos espetáculos Prazer e Urgente, totalizando mais de 16 meses de temporada em 4 unidades do CCBB.

Também a parceira com o SESC possibilitou uma turnê por 33 cidades em 25 estados brasileiros através do Palco Giratório. A Cia. realizou também uma turnê por 7 capitais nas regiões Norte e Nordeste do país, com patrocínio da Eletrobras Eletronorte/Chesf. Em viagens e temporadas, é prática da Cia. realizar debates com o público e oferecer oficinas gratuitas para artistas interessados em conhecer as técnicas de criação da Cia., bem como discutir temáticas relacionadas aos espetáculos.

Crédito da imagem em destaque: Kika Antunes

Serviço:
E Ainda Assim se Levantar – Cia. Luna Lunera
Data:
16/8 a 1º/9
Horário: sexta a segunda, às 20h10
Local: Teatro I do CCBB
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada) – vendas online
strong>Informações: (31) 3431-9400 | culturabancodobrasil.com.br