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Campanha “Abrace Brumadinho” busca recuperar turismo na região

Ação nacional pretende engajar a sociedade para que volte a frequentar um dos destinos turísticos mais reconhecidos do Brasil e do mundo
Por Redação Feira Cultural

A Associação de Turismo de Brumadinho (ATBR) lança na quinta-feira (16), uma campanha nacional que destaca e valoriza os atrativos turísticos da região. Batizada de Abrace Brumadinho, a iniciativa tem como objetivo resgatar o fluxo normal de visitantes de um dos principais destinos brasileiros para cultura, ecoturismo, culinária e acolhimento típicos mineiros.

Voo de parapente na Serra da Moeda, Brumadinho © Divulgação

O turismo é uma das forças motrizes da economia local – o município encontrou na hospitalidade sua verdadeira vocação. No entanto, desde janeiro, o movimento de hotéis e pousadas foi reduzido em mais de 50%. Segundo Leonardo Esteves, presidente da ATBR, é preciso mostrar que a cidade está de braços abertos para receber os viajantes. “Queremos reforçar, com esta iniciativa, que a região está de pé e esperando ansiosamente para receber a todos”, afirma.

Com uma extensão territorial quase duas vezes maior que a de Belo Horizonte, Brumadinho reúne belezas naturais como parques ecológicos, cachoeiras e trilhas, além da arte contemporânea do Inhotim, que fez do município referência mundial. Entre os principais distritos e povoados estão Casa Branca, a Encosta da Serra da Moeda e Piedade do Paraopeba.

Criada pela agência de publicidade África, a campanha tem como desafio desmistificar a ideia de uma cidade inacessível ou insegura. “Para dar vida a essa ação e estimular o engajamento que a região precisa, encontramos uma forma que o brasileiro – e o mineiro em especial – entende bem: o abraço. É um ato que traduz acolhimento, afeto, empatia. Ninguém ensina, o abraço é um convite. Foi assim que o mote Abrace Brumadinho surgiu”, explica PC Freitas, Diretor de Atendimento da África.

A campanha tem início nesta quinta-feira, dia 16, com a veiculação de um filme de 60”e 30″ em TV aberta em MG e tv a cabo em todo o território nacional, além de mídia digital nos principais portais de SP/RJ/MG, mídia em aeronaves da Gol, Latam e Azul e anúncios nos principais jornais e revistas destes três estados.

O plano de mídia tem a duração de três meses. A campanha conta também com um hotsite criado especialmente para a ação. A página apresenta o tema e filmes da campanha e direciona os visitantes para o site visitebrumadinho.com.br e para o Museu de Inhotim, onde o visitante pode encontrar informações sobre hospedagem, restaurantes e roteiros turísticos na região de Brumadinho.

Algumas personalidades da região participam da campanha. Além das peças de mídia impressa e TV, será lançada uma série de minidocumentários que contam um pouco mais sobre alguns deles e suas histórias. Eny Amorim produz peças de cerâmica a 1.200 metros de altitude, no alto da Serra da Moeda. Seu ateliê foi aberto há oito anos, mas Brumadinho faz parte da vida da ceramista desde sempre. Quem sobe a Serra é bem recebido com uma xícara (de cerâmica) de café, acompanhada de queijo canastra. Com sotaque mineiro, Eny conta que deixou a carreira na área financeira em 2011 para se dedicar ao artesanato.

Mesmo estando no ponto mais alto de Brumadinho, a pelo menos 30 quilômetros do local do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, a pousada e as vendas de cerâmica sentiram os reflexos. Reservas foram canceladas e seis empregados foram dispensados. “Está sendo difícil para todo mundo, mas a vida é cíclica. A gente liga a TV e só vê a tragédia, mas não estamos debaixo de lama. Espero que os turistas voltem aos poucos trazendo alegria porque Brumadinho é lindo”. Emy é ceramista. 47 anos, tem um filho, Gabriel (6 anos), é casada com Luciano Drumond, dono da Pousada Estalagem do Mirante

ueima de cerâmica no ateliê da artista Eny Amorim, na Serra da Moeda © Divulgação

Foi em uma viagem pela Córsega, a oeste da Itália, que Andrea Drummond e o marido conheceram os parques de arvorismo. De volta a Casa Branca, aos pés da Serra do Rola Moça, onde moravam desde a década de 1990, compraram um terreno, cercado por Mata Atlântica, para construir o Verde Folhas – um complexo com pousada, restaurante e parque para esportes de aventura. Com árvores altas de copas fechadas, como Braúnas, Jacarandás, Jatobás e Copaíbas, a região é perfeita para atividades do ecoturismo: arvorismo, rapel, escalada, tirolesa e trilhas.

Andrea preservou o estilo simples e acolhedor da região. A pousada, um casarão que lembra as antigas fazendas mineiras, é administrada pela filha, Eduarda, de 28 anos. Na cozinha, fogão a lenha e paredes de adobe, em volta, o silêncio da mata, cachoeira e água pura na bica. “Temos aqui nove nascentes, vários biomas e a convivência com os vizinhos, típica de cidade do interior”. A pousada atrai casais em busca de sossego e famílias com filhos procurando diversão. “Oferecemos coisas simples como comida mineira, uma cachaça boa e o carinho e aconchego de mãe e avó. Os hóspedes têm a sensação de serem da família”. Andrea é empresária. 58 anos, proprietária do Verde Folhas.

O restaurante de comida árabe fica no meio da mata, no povoado de Palhano, próximo ao condomínio Retiro do Chalé. Desde o começo, o plano do cozinheiro Antônio Abrahão era oferecer uma experiência gastronômica sírio-libanesa. “Pensamos em tudo para fazer o melhor, desde o que a pessoa vai comer e beber, até onde vai dormir. Muitos vêm para experimentar a comida e ficam na pousada. Nosso diferencial é a cozinha internacional com atendimento mineiro”.

Sob influência familiar – Abrahão é neto de sírios – começou a aventura em 2005, em uma cabana de madeira atrás da casa da família, que comportava oito pessoas, onde fazia pão, esfiha e quibe frito para os amigos em um fogareiro e uma mesa com tampa de mármore. Com a propaganda feita pelos amigos, os clientes foram chegando, e o restaurante, que também já foi um bistrô, hoje funciona em uma casa ampla, cercada por muito verde. “Tive o sonho da minha infância realizado. Eu chamo esse lugar de meu tesouro, porque me remete às aventuras de Aladim em Ali Babá”. Antônio é empresário. 60 anos, casado, dois filhos, proprietário da pousada e restaurante Casa de Abrahão.

Vista aérea do Instituto Inhotim © Divulgação

Elton Damasceno da Silva (Fubá) é encarregado de acervo do Instituto Inhotim. 37 anos, casado, dois filhos, morador de Brumadinho há 13 anos. Fubá fez do Inhotim um projeto de vida. O museu de arte contemporânea revolucionou a vida do belo-horizontino, que há 13 anos se mudou para Brumadinho. Em 2005, teve o primeiro contato com o americano John Ahean e com o porto-riquenho Rigoberto Torres, os artistas que criaram a obra Abre a porta (2005), com moldes de moradores da região. Fubá trabalhava como moldista em Belo Horizonte quando foi convidado para integrar a equipe de montagem da obra. Ele conta que a empatia foi imediata. “John gostou do meu visual, da minha touca rastafári. Eu não entendia nada do que ele falava, mas a comunicação aconteceu”, brinca.

Vir para Brumadinho foi uma mudança em todos os sentidos. Se nessa época, Fubá não tinha concluído o Ensino Médio, hoje é formado em História. Acumula na bagagem uma pós-graduação, cursos nas áreas de museologia, sociologia e antropologia e já planeja o mestrado. Aprendeu inglês com o próprio Jonh Ahenan, que se ofereceu para dar aulas a ele. Sobre o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, Fubá acha que é preciso desconstruir a ideia de que Brumadinho foi totalmente atingida fisicamente. “A campanha é um primeiro passo para que a cidade não viva um luto eterno, porque é necessário, mesmo com a dor, retomar a vida”.

Crédito da imagem em destaque: Reprodução /Vídeo promocional Abrace Brumadinho