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O herói menino

“Shazam!”, nova aventura da DC se assemelha aos clássicos de John Hughes
Por Yasmine Evaristo

Aproveitando da onda nostálgica que contaminou os filmes dos últimos anos, “Shazam!”, lançamento da Waner/DCU, embarca na onda e apresenta às novas gerações o herói menino. O filme que entra em cartaz nesta quinta-feira (4), foi dirigido por David S. Samdberg, conhecido pela direção do terror Annabelle 2. O herói foi criado em 1939 por C. C. Becker e Bill Parker e apareceu pela primeira vez na revista Whiz Cômico #2.

Billy Batson (Asher Angel) é um pré-adolescente de 14 anos que vive fugindo de lares adotivos. Quando bebê, ele se perdeu de sua mãe e sua vida, desde então, gira em torno da possibilidade de reencontrá-la. Adotado por um casal que cuida de mais cinco crianças órfãs, Batson se sente preso a uma estrutura que o incomoda. Para o garoto, ter uma família só será possível quando ele estiver com sua mãe.

Paralela a essa história, temos o Mago Shazam (Djimon Hounsou), último de sua linhagem, que aprisionou os sete pecados capitais. O Mago busca por alguém de coração puro que possa assumir seu lugar, pois sua energia está acabando e, em breve, os pecados podem se soltar e atormentar o mundo. Em sua busca por um substituto, ele se depara com Thaddeus Sivana (Mark Strong) que não passa em seu teste e jura vingança.

Para quem conhece a história base do herói Shazam, criado há 80 anos, não há o que esperar de novidades na construção de sua origem. Temos o vilão que perde a oportunidade de ser um herói e se torna amargo e vingativo. Em contraponto, o garoto que, anos depois, é achado pelo mago e se torna um herói. O vilão de Strong está para Shazam assim como Lex Luthor para o Super-Homem. Sivana é um homem rico, psicologicamente desencontrado e careca. Porém, diferentemente do homem de aço – mesmo com um uniforme bem parecido -, Shazam é um jovem imaturo, preso em magia, que está deslumbrado com os poderes adquiridos.

Batson criança é um jovem atormentado pelo abandono e, na maioria das vezes, rabugento. Já ao incorporar seus poderes – pronunciando uma palavra mágica – e se tornar Shazam (Zachary Levi) é mais descontraído. E nesse momento de descontração e de descobertas ele pode contar com seu fiel escudeiro, seu amigo-irmão Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer). A dupla, em sua dinâmica e interação, proporciona ao espectador boas risadas e dramas sobre fraternidade e relações familiares.

Em todo seu desenvolvimento, “Shazam!” se assemelha aos clássicos da sessão da tarde. Há momentos em que o drama chega a escorrer pieguice pela tela, ou que as piadas parecem pueris. Além disso, o vilão mantém seu cenho sempre fechado e as bestas, que materializam os pecados, parecem gárgulas mescladas com monstros que provavelmente você já viu na TV (a gula é bastante semelhante ao Geleia de “Os Caça-Fantasmas”). As personalidades das crianças são repetições dos perfis que conhecemos desses filmes oitentistas, principalmente por todos serem órfãos e passarem por algum dilema. A relação entre eles é cativante e sua união rende uma bela aventura nos moldes de “Os Goonies”. Essas escolhas rendem vários easter eggs ao longo da projeção.

O filme chega no momento certo aos cinemas. Após uma série de filmes com fotografia excessivamente sombria, tentativas de não se assemelhar às produções Marvel e efeitos questionáveis, parece que o estúdio entendeu o que deve ser feito. Assim como “Aquaman”, que apresenta rico visual e não se leva a sério demais, “Shazam!” traz para si toda a descontração da inocência. Não existe preocupação em manter o herói quadrado, seguindo a risca o que víamos nos filmes anteriores a “Mulher Maravilha”. O resultado passa a sensação de que John Hughes refilmou “Quero ser grande” sob a ótica das HQs.

Essa nova fase do DCU pode ser marcado por “Shazam!” que proporciona essa mudança do “como fazer” um filme de herói. Mostrando ao lado do homem-peixe de Momoa que um herói pode ser sério e brincalhão, sombrio e colorido, afetivo e frio. Afinal, um super-herói é composto de um pouco de tudo.

 

ASSISTA AO TRAILER DE “SHAZAM!”

 

Crédito da imagem em destaque: Divulgação /Warner Bros. Pictures