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Festa do Rosário do Serro vira tema de livro

Celebração religiosa mais antiga do Brasil é retratada em obra de Márcia Clementino Nunes, que será lançada em 8/12, no restaurante Dona Lucinha e, na terça-feira, 11/12, na Biblioteca Luiz de Bessa
Por Redação Feira Cultural

Marujada no Serro © Divulgação /Prefeitura do Serro

“O que não está escrito, o vento leva”, foi com essa sábia frase em mente dita por Dona Lucinha, que sua filha, Márcia Clementino Nunes, desengavetou e deu continuidade a um projeto que começou há mais de 30 anos, quando era uma jovem estudante de História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Nascida na cidade do Serro e acompanhando todos os anos a Festa do Rosário, Márcia, com sua inquietude de pesquisadora e encantada com a magnitude, significado e cultura que o festejo histórico mineiro representa, reuniu no livro Festa do Rosário do Serro uma ótica diferente dessa comemoração tricentenária.

Compilando histórias, imagens, versos, cantigas, rezingas e memórias, a artista agora apresenta uma reflexão crítica e interrogativa aos sentidos simbólicos da celebração. A obra será lançada em duas oportunidades. A primeira acontece no sábado (8), às 10h, no restaurante Dona Lucinha. A data foi escolhida a dedo, já que em 8 de dezembro se comemora o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição em Belo Horizonte.

O segundo lançamento será realizado na terça-feira (11), às 19h, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em um evento acadêmico, quando a escritora e fará uma noite de autógrafos e contará um pouco do livro e seu processo de publicação. As duas sessões são gratuitas.

O livro de 224 páginas ilustra em imagens e texto a complexidade da fé dos negros escravos na Nossa Senhora do Rosário, uma santa de tradição cristã e branca, que se transformou em protetora dos pretos de Minas Gerais. A narrativa explica e exemplifica – pelas lentes do fotógrafo Miguel Aun, a concretização de um rito antigo, que hoje já é patrimônio cultural da história do estado e do Brasil.

Capa do livro “Festa do Rosário do Serro”

A escritora enxerga a devoção escrava, transformada em dança, batidas de tambor, fantasias e música como um universo simbólico riquíssimo e uma forma de superação à escravidão. “A Festa é linda, criativa, cultural. Uma conexão com o sagrado. Me dediquei a compreender os rituais e a importância mitológica dessa celebração anual. Mergulhei fundo e me apaixonei. No livro tento repassar esses sentimentos”, conta Márcia.

A Festa do Rosário do Serro em sua própria representação é um teatro que narra à história colonizadora de Minas Gerais e do Brasil. Nela, três grupos de dançantes – os catopês, os caboclos e os marujos, representando os negros, índios e brancos, as etnias básicas da formação brasileira, com caixas e tambores, armados de arcos e flechas – dançam – pela devoção da Nossa Senhora do Rosário. A autora reflete se esse enfrentamento era mesmo uma forma de aceitação da nova cultura imposta, ou se representava uma maneira de sobreviver e lutar de forma subliminar contra a escravidão.

Crédito da imagem em destaque: Divulgação /Prefeitura do Serro

Serviço:
Lançamento do livro “Festa do Rosário do Serro”

*Data: 8/12 (sábado), às 10h, no restaurante Dona Lucinha
  Endereço: Rua Padre Odorico, 38 – Savassi
  Informações: (31) 3261-5930 | Entrada gratuita

*Data: 11/12 (terça-feira), na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa
  Endereço: Praça da Liberdade, 21 – Funcionários
  Informações: (31) 3269-1166 | Entrada gratuita