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Halloween: Linhas do tempo, universos paralelos e outras curiosidades marcam os 40 anos do clássico cinematográfico – Parte I

Ao longo de 4 décadas, Michael Myers e Laurie Strode se enfrentaram várias vezes, foram irmãos e tiveram destinos curiosos nas telonas
Por Antônio Pedro de Souza

Chega hoje às telonas o filme Halloween, 11ª produção da linha iniciada em 1978 pelo talentoso John Carpenter. Ao longo das últimas quatro décadas, Michael Myers, notório assassino em série usando uma máscara branca, perseguiu vítimas juvenis nas noites de 31 de outubro. Com força descomunal e beirando o sobrenatural em algumas sequências, Michael iniciou sua carnificina bem antes da fatídica noite mostrada no primeiro filme da série. Em 31 de outubro de 1963, aos seis anos de idade, o pequeno Michael matou Judith Myers, sua irmã mais velha, com golpes de faca. Encontrado pelos pais na porta de casa, Michael não emitiu uma única palavra e acabou internado em um hospício.

Michael mata Judith em 31/10/1963 – reprodução

Quinze anos se passam e às vésperas do halloween de 1978, Michael, então com 21 anos, foge da clínica e ruma para Haddonfield, sua cidade natal.

Gostaria de avisar ao amigo leitor que, a partir daqui, todo o texto será uma profusão de revelações sobre os roteiros das onze produções lançadas. Caso não tenha visto alguma ou não queira dar de cara com um spoiler, não leia!

Você foi avisado!

Michael é encontrado pelos pais – reprodução

Esta é sua última oportunidade para dar meia volta, clicar em outro link e conhecer as outras sessões do site.

Certo, último aviso. Ao dobrar a próxima esquina, ou melhor, a próxima linha, você dará de cara com o Michael empunhando uma faca contra a sua jugular e…

Enfim, quando Michel retorna a Haddonfield, seu médico passa a segui-lo, mas sempre chega atrasado. O interessante do primeiro Halloween, é que o suspense é crescente. Temos, claro, a abertura brutal em que o garotinho fofo veste uma máscara de palhaço e mata a irmã, mas depois o primeiro assassinato só vai acontecer por volta dos 45 minutos de filme. Ou seja: em metade do tempo, somos convidados a conhecer os personagens, mergulhar em seus dramas para, finalmente, observamos como eles sucumbem perante o mal representado por Myers.

Aquela regrinha apontada em Pânico(1996) é totalmente utilizada aqui: se você faz sexo, morre. Se bebe e fuma, morre. Se é virgem, sobrevive! Fácil, né?

Assim como outros filmes produzidos na década de 1970, Halloween tem a fama de ter sido um filme barato, feito com atores quase desconhecidos do grande público, com poucos recursos técnicos e que teve um retorno estrondoso!

Na verdade, a ideia do filme surgiu quando Moustapha Akkad e Irwin Yablans fundaram a empresa Compass International Pictures, para distribuir filmes e tinham alguns projetos que gostariam de produzir. Fãs do primeiro trabalho de Carpenter, Assalto à 13ª DP, eles convidaram o cineasta para um projeto experimental: “Halloween: A Noite do Terror”. Carpenter conta que a dupla pediu que o filme deveria ser feito por, no máximo, duzentos mil dólares. Ele aceitou, desde que tivesse o controle criativo da história, além do nome no começo dos créditos. Então, junto com Debra Hill, Carpenter desenvolveu o filme original.

 

1ª Linha do Tempo:

Para compreender a história de Halloween, é necessário entender que, com esse lançamento de 2018, existem três linhas do tempo, além de três universos paralelos que englobam os onze filmes. No entanto, em alguns momentos, é possível “forçar a barra” e aceitar uma linearidade entre as produções.

O curioso é que o primeiro filme continua sendo o ponto de partida para qualquer uma das linhas do tempo. O que é bom, já que tudo parte da fatídica noite de outubro de 1963 – com seus desdobramentos em 1978.

Halloween (1978)

 

A primeira vítima de Michael, após a fuga da clínica – repodução

            Quando Michael escapa do sanatório e volta para sua cidade natal, começa a deixar um rastro de sangue por onde passa. Sua primeira vítima, é um jovem da cidade que trabalha em um posto de gasolina. O rapaz pode ser visto nu na beira da estrada, enquanto Samuel Loomis, médico de Michael, procura pelo fugitivo. O assassino o matara para roubar suas roupas e seu carro, entrando na cidade sem ser percebido pelos moradores.

Na cidade, conhecemos Laurie Strode, cujo pai é corretor de imóveis e algumas amigas. Entre elas, Annie, filha do xerife local. Tem ainda as crianças Tommy e Lindsey, de quem Laurie e Annie devem tomar conta à noite. Junta-se às duas moças, Lynda, a terceira amiga do colégio.

Enquanto Lynda e Annie tem seus namorados e aventuras sexuais típicas da juventude, Laurie é uma jovem comedida, embora lance olhares para Bem Trammer, colega de escola.

Michael observa Laurie e as amigas por trás da cerca viva – reprodução

Em uma das cenas mais interessantes deste primeiro ato do filme, as três caminham pela calçada e Michael as observa por trás da cerca viva. Laurie o vê, mas quando vai mostra-lo às amigas, ele se esconde. Boa também é a cena que mostra como ele conseguiu a máscara que passa a usar: Annie e Laurie estão no carro, Annie está fumando maconha e as duas veem o xerife parado em frente a uma loja de fantasias. Elas param o carro e o xerife fala que “uma criança arrombou a loja e roubou uma máscara e umas cordas”. Enquanto eles conversam, o carro dirigido por Michael passa na rua de trás, sem que ninguém perceba.

À noite, Lynda vai se encontrar com Bob e Laurie tomará conta de Tommy. Annie, que deveria se encontrar com Paul, ficará tomando conta de Lindsey, já que seu namorado está de castigo por ter jogado ovos nas casas dos vizinhos.

Annie, aliás, é a personificação da Lei de Murphy, mostrando que tudo pode dar errado da pior maneira possível. Enquanto está cuidando de Lindsay, deixa cair manteiga na roupa. Ao entrar na lavanderia, a porta bate e ela fica presa. Ao tentar sair pela janela – a esta altura apenas de calcinha e sutiã – fica com o pé preso! Por fim, recebe um telefonema de Paul, seu namorado, contando que os pais do rapaz saíram e eles terão algumas horas para se ver. Enrolada em uma manta, Annie leva Lindsay à casa de Tommy e pede que Laurie cuide da menina enquanto ela busca Paul.

Annie em uma das muitas coisas que darão errado nesta noite – reprodução

Bem antes de tudo isso, porém, o Dr. Sam Loomis descobre que o túmulo de Judith Meyrs fora violado e a lápide fora furtada. Ele procura pelo xerife e juntos começam a caçar Michael pela cidade.

Annie retorna à casa de Lindsey, encaminha-se para o seu carro e descobre que as portas estão trancadas. Volta para casa, pega a chave, retorna ao carro e não percebe que alguém já havia destrancado as portas. Entra no veículo e se torna vítima de Michael Myers com uma facada no pescoço.

Do outro lado da rua, Tommy se esconde atrás da cortina para assustar Lindsey, mas vê Michael levando Annie para dentro de casa. Assustado, grita por socorro, mas ninguém acredita no garoto.

Minutos depois, Bob e Lynda chegam à casa de Lindsey e não encontram Annie. Acreditando que a moça já estava com Paul, os dois vão para um quarto fazer sexo. Com exceção do trecho inicial, é a única cena de nudez do filme. Depois do ato sexual, Bob vai à cozinha pegar uma cerveja, mas se torna vítima de Michael que, vestindo um lençol, sobe ao quarto e mata Lynda que falava ao telefone com Laurie.

Intrigada com os barulhos emitidos pela amiga, Laurie coloca as crianças na cama e ruma para a casa em frente. Ao chegar lá, descobre os corpos de Bob, Annie e Lynda, além de ser atacada por Michael que, ao dar uma facada no ombro de Laurie, a derruba do alto da escada. Aqui, um dado curioso: Annie está morta na cama, com a lápide de Judith ao fundo.

Ferida, Laurie atravessa a rua mancando e grita por socorro. A cena, por si só, é angustiante: uma Laurie machucada, manquitolando, e um Michael agressivo a poucos passos de alcançá-la.

No instante final, as crianças abrem a porta e Laurie entra na casa, só para perceber que Michael entrara por uma janela aberta. Desesperada, ela sobe ao segundo andar e se esconde no guarda-roupas de um dos quartos. Michael a ataca, mas é ferido. Enquanto está caído, ela pede para que as crianças busquem por ajuda. Exausta, ela cai e Michael a ataca novamente, mas o Dr. Loomis, que ouvira as crianças gritando, a salva, acertando Michael com seis tiros.

A cena é emblemática: Michael cai da sacada e Laurie pergunta para Loomis: “Era o bicho-papão?” ao qual Loomis responde: “Na verdade, era!” Loomis vai à sacada e percebe que Michael não está mais lá.

Entra a trilha sonora e câmera foca vários trechos da casa, mostrando que Michael pode estar em qualquer lugar.

Halloween II – O Pesadelo Continua (1981)

 

            Interessante sequência direta do filme de 1978, Halloween II foi dirigido por Rick Rosenthal, com roteiro de John Carpenter e Debra Hill. A história começa no mesmo ponto em que termina a primeira: Dr. Samuel Loomis acerta seis tiros em Michael, que cai da sacada e desaparece.

Laurie é levada para o hospital e a contagem de corpos começa. Michael começa a andar pela vizinhança e espalhar medo à medida que faz novas vítimas. Notícias no rádio e TV vão informando sobre novas vítimas e possíveis locais em que Michael possa estar.

Após descobrir que Annie está morta, o xerife passa o comando para um subordinado, que conta com o auxílio de Loomis para tentar barrar Michael. Paralelo a isso, a cidade, em polvorosa, ataca a antiga casa dos Myers, acreditando ser ali a origem de todo o mal.

No hospital, Laurie não reage bem aos medicamentos e fica em um estado crítico. Em meio a esse clima, dois fatos marcam o tom da nova narrativa: o primeiro é que Michael entra no hospital e começa a matar os funcionários. O segundo, é que Sam Loomis descobre que Laurie e Michael são irmãos. O casal Myers teve um terceiro bebê quando Myers já estava internado, mas a criança fora posta em adoção e o segredo ficou guardado pelo Estado.

Então, Loomis percebe que Michael estava atrás de sua irmã mais nova e que precisa salvá-la no hospital, antes que o assassino a mate, como fizera com Judith, anos antes.

A sequência do elevador: um dos melhores momentos de Halloween II – reprodução

Laurie acorda e percebe que a maior parte dos funcionários está morta. Michael surge no corredor e começa a segui-la numa das melhores sequências de toda a série. Em um determinado momento, ela entra em um elevador e o assassino tenta barrar o fechamento da porta com um bisturi. Sorte de Laurie que em 1978 (quando a história é ambientada) as portas de elevadores não tinham sensores de movimento como hoje.

De volta ao hospital, Loomis descobre o massacre causado por Michael e reencontra uma Laurie moribunda. Reunindo suas forças, Loomis e Laurie encurralavam Michael em um dos quartos e a moça acaba ferindo o irmão com um tiro nos olhos. Mesmo cego, Michael tenta matá-la, mas Loomis abre alguns cilindros com gases usados no hospital, para confundir os sentidos de Myers. Após Laurie fugir do quarto, Loomis acende um isqueiro e explode parte do hospital, supostamente morrendo e matando Michael.

O filme termina com Laurie na ambulância, sendo transferida, e relembrando a imagem do irmão em chamas no chão do hospital.

Hallowween IV (1988)

Quarta parte da série iniciada em 1978, mas terceira na linha cronológica de Michael Myers. Dez anos se passaram desde os acontecimentos narrados em Halloween I e II e Laurie Strode está morta! Ela sofreu um acidente de carro com o marido, mas sua filha, a pequena Jamie, não estava junto e segue em um lar de adoção. Longe dali, um Michael Myers deformado é mantido sedado em uma clínica psiquiátrica, sob os cuidados de um também deformado Samuel Loomis. Alguém do Governo, porém, tem a brilhante ideia de transferir Michael de clínica, fazendo os espectadores se perguntarem “qual o sentido disso?”.

Durante a transferência, um dos paramédicos tem a infeliz ideia de mencionar que há apenas uma parenta viva de Michael, a pequena Jamie, em Haddonfield. Michael mata os paramédicos, foge e retorna à cidade natal disposto a matar a sobrinha.

Em seu encalço, parte Loomis. O reencontro dos dois se dá em um posto de gasolina, após Michael matar algumas pessoas e vestir a famosa roupa de frentista que o acompanhou nas histórias anteriores.

Quando chega em Haddonfield, Loomis vai à delegacia avisar sobre o perigo iminente, mas não é levado a sério. Após algumas mortes – inclusive de policiais – o xerife admite que o “perigo Michael” é real e que Jamie deve ser protegida.

A partir daí, Halloween IV assume uma fórmula comum às produções de terror da década de 1980: muitas mortes – algumas sem motivo – e personagens em demasia cuja única função é ser eliminado durante a projeção. Não que o filme seja ruim, mas perdemos o momento de conhecer as características dos personagens, como acontecera nos filmes anteriores.

Devidamente emoldurado pela porta, Michael se reencontra com Loomis. Note que ele ainda não está usando a máscara, mas faixas do hospital em que esteve por 10 anos – reprodução

Ainda assim, Halloween IV é muito bom e segue a linearidade iniciada uma década antes. Algumas cenas são memoráveis, como o já citado reencontro de Michael e Loomis no posto. É utilizado um efeito em que a câmera ganha zoom ao mesmo tempo em que é puxada para trás (o efeito foi usado em diversas produções, mas se mantém fantástico).

Outro momento interessante é o que mostra como Michael “recupera” sua máscara: ele a rouba (como fizera no primeiro filme) de uma loja de conveniências…

Um morte curiosa é a do técnico da empresa de energia. Sem pestanejar, Michael levanta o homem e o joga no alto de uma torre de transmissão, matando-o instantaneamente.

Aliás, é em Halloween IV que Michael recebe suas primeiras pinceladas de ser sobrenatural: ele enxerga perfeitamente, a despeito dos tiros no filme II e possui uma força sobrenatural. Tudo bem que ele se levanta calmamente no fim do primeiro filme, além de levar balas e golpes durante o filme II, mas aqui percebemos que, talvez, ele consiga se regenerar de tempos em tempos (talvez a mesma fórmula usada em vilões como Jason e Freddy).

Ao fim, a polícia prepara uma armadilha para Michael que, antes de sucumbir, pega na mão da sobrinha, dando a entender que está “passando uma herança” para a garota. Pouco depois, cai em um buraco e é explodido pelos cidadãos de Haddonfield.

O fim, porém, é chocante: Jamie veste uma máscara de palhaço – mesma fantasia que Michael usou quando matou Judith – e com uma tesoura golpeia a madrasta. Após os gritos, Loomis e a família da menina a veem descendo a escada e ficam perplexos.

Halloween V (1989)

Dois fatos no começo do filme mudam a percepção sobre o final do filme IV: o primeiro é que a madrasta de Jamie não morreu – embora não seja vista durante a projeção. Aparentemente, ela escapou das tesouradas. O segundo é que Michael também não morreu: no instante final antes de a bomba que foi lançada sobre ele explodir, Michael se joga em um curso d’água e escapa.

Michael está vivo! Ele escapou no último instante da explosão mostrada no filme 4 – reprodução

Ele vai parar em um casebre de um catador de lixo e é cuidado pelo homem durante um ano. Às vésperas do halloween de 1989, ele mata seu cuidador e volta para Haddonfield.

Paralelo a isso, Jamie está internada em uma clínica, mas tem pesadelos constantes com seu tio. Samuel Loomis também está na região, já que acredita que Michael pode voltar. E uma estranha figura desembarca na estação da cidade…

A partir daí, o filme passa a focar no que possível reencontro de Jamie, Michael e Loomis, observados de longe pela figura misteriosa que não tem o rosto revelado. Quando chega o dia 31, Michael reinicia seu massacre, não poupando ninguém que se atreva a entrar em seu caminho.

Depois de muitas mortes, Michael é encurralado pela polícia, mas em vez de ser fuzilado, é preso. Enquanto aguarda com um policial e com o dr. Loomis na porta da delegacia, Jamie vê, atônita, a explosão do local. A tal figura misteriosa que perseguira os dois, invadira o local, explodira a entrada da cela, e resgatara Michael.

Halloween VI (1995)

Oficialmente, esse filme encerra a primeira linha do tempo da saga iniciada em 1978. O roteiro é interessante, mas a série apresentava os mesmos sinais de desgaste que outras produções contemporâneas a ela. Para se ter uma ideia, na primeira metade dos anos 1990, praticamente não houve nenhuma nova saga cinematográfica – principalmente no terror – apenas continuações de sucessos anteriores que já se mostravam sem fórmula e se valiam de reutilizarem elementos dos filmes já lançados.

Só pra constar, Sexta-Feira 13  já contava, em 1993, com nove filmes (a série fora iniciada em 1980, no encalço do sucesso de Halloween); A Hora do Pesadelo tinha em 1994 sete filmes (o primeiro fora em 1984); O Massacre da Serra Elétrica (iniciada em 1974) tinha quatro filmes e até Brinquedo Assassino, que surgira em 1988, já tinha três filmes no currículo. Ou seja: os filmes vinham todos se repetindo, sendo lançados com pouco espaço de tempo entre um e outro e usando basicamente os mesmos elementos: assassino “acorda”, mata, “morre” e volta na produção seguinte.

Com Halloween VI, pelo menos, a história se reinventou. Aliás, esse é um dos pontos positivos da saga: há sempre um elemento novo sem, no entanto, desrespeitar o que já havia sido contado. O filme começa com Jamie – agora jovem – em um ritual estranho. Segundo a lenda, Michael pertencia a uma linhagem de druidas e Jamie também fora escolhida para dar continuidade à linhagem do tio. Grávida, seu bebê seria o sucessor de Michael nos massacres!

Tommy Doyle, aqui vivido por Paul Rudd, volta para acertar as contas com o “bicho-papão” Michael Myers – reprodução

Jamie foge com o filho nos braços e o esconde em um armário da rodoviária, sendo assassinada pouco depois pelo tio. Tommy, o garotinho sobrevivente do primeiro filme, volta à cena salvando o sobrinho de Michael.

Novos personagens são inseridos, mas o foco ainda é a perseguição de Michael a seus parentes e a luta incessante de Samuel Loomis por seu paciente que beira à imortalidade.

O filme, porém, soa confuso a maior parte do tempo: Kara Strode e seu filho Danny, estão morando na antiga casa dos Myers. Eles são, de certo modo, parentes de Laurie – já que ela havia sido adotada pelos Strodes em algum momento antes do primeiro filme.

Descobrimos, ainda, que a estranha figura que perseguia Michael e Jamie no filme 5, faz parte de uma seita e realiza experiências com os internos de Smith’s Grove, sanatório em que Michael ficara internado parte da vida. Tommy, que se tornara obcecado pelo assassino, descobre que Danny, filho adotivo de Kara, fora amaldiçoado – aparentemente, a mesma maldição que se apoderara de Michael e Jamie – e que deveria matar toda a família em nome de uma causa maior!

 

No fim, Kara, Danny, Tommy, o bebê, Loomis e Michael se enfrentam em uma batalha mortal nas dependências de Smith’s Grove. O desfecho, assim como grande parte do roteiro, é inconclusivo: Michael está morto, certo. Certo? Na última cena, Kara, Danny, Tommy e o bebê se despedem de Loomis e vão embora. Loomis diz que ainda tem “negócios a acertar” e volta para o hospital abandonado. A câmera foca na máscara de Michael no chão e ouvimos um grito. A imagem corta para a casa dos Myers, uma lanterna de abóbora e entram os créditos, ficando no ar a pergunta: Michael morreu mesmo?

Curiosidades da primeira linha do tempo:

Jamie Lee Curtis teve seu primeiro papel de destaque em Halloween (1978) e o filme acaba homenageando uma produção em que sua mãe, Janet Leigh estrelou 18 anos antes: Psicose, de Alfred Hitchcock: o namorado de Marion Crane (papel de Janet) se chamava Samuel Loomis, mesmo nome do médico vivido por Donald Pleasence em cinco dos filmes Halloween. Além disso, a enfermeira que acompanha Loomis nas partes I e II se chama Marion.

Além de escrever o roteiro e dirigir Halloween, John Carpenter compôs a trilha do filme. Halloween Theme acabou sendo usada em dez produções da série, com exceção da parte III.

Há um erro cronológico exposto nos créditos finais de Halloween (obrigado pelo envio da imagem, Yasmine Evaristo): neles, aparecem os nomes dos atores que viveram Michael aos 6 e 23 anos. Porém, o filme começa em 1963 e parte para 1978. Logo, Michael estaria com 21 e não 23 anos…

Em Halloween II, abre o filme a música Mr. Sandman (que depois é tocada novamente nos créditos finais). A versão utilizada no longa é a do conjunto musical The Chordettes, quarteto de mulheres, criado em 1946. A gravação da música data de 1954, mas Mr. Sandman possui várias outras versões posteriores, incluindo uma brasileira na voz de Roberto Carlos!

Ainda em Halloween II, a morte do personagem Jimmy (Lance Guest) não é bem explicada: ele entra correndo em uma sala, vê a chefe dos médicos morta, tenta sair, escorrega no sangue dela que escorre pelo chão, cai e bate a cabeça (um pouco do sangue da médica voa para sua boca). Minutos depois, porém, ele aparece no carro em que Laurie está tentando fugir só para, ofegante, cair sobre o volante. Fica a dúvida: ele morreu? A morte foi causada pela batida na cabeça? O sangue da médica estava envenenado e isso facilitou a morte? Durante as pesquisas para esse texto, encontrei um “final alternativo” que mostra que Jimmy, bem como Laurie, sobreviveu ao ataque.

Halloween IV presta uma homenagem à própria Jamie Lee Curtis, já que a filha de Laurie se chama Jamie. Uma foto da atriz que viveu a heroína nos filmes I e II é vista em um recorte de jornal, quando ficamos sabendo de sua morte.

Ainda em Halloween IV, diversos momentos do primeiro filme ganham uma releitura: provocações feitas ao pequeno Tommy são refeitas à pequena Jamie por colegas da escola.

Halloween VI é o último filme de Donald Pleasence, que faleceu enquanto o filme ainda estava em produção. Antes dos créditos, um letreiro o homenageia. Loomis também é o elo entre a primeira e a segunda linha do tempo, como veremos na segunda parte deste especial.

Um jovem Paul Rudd (ainda assinando como Paul Stephen Rudd), vive o Tommy Doyle de Halloween VI. O ator ficaria famoso em produções da segunda metade dos anos 1990 e também por viver o marido de Phobe em Friends. Atualmente, ele é conhecido por interpretar o Homem-Formiga, da Marvel.

Outros elementos de Halloween VI que fazem referência às produções anteriores ou aos produtores originais incluem a família Strode: Há o John Strode (nome retirado de John Carpenter) e Debra Strode (de Debra Hill).

Pelo menos durante três anos, Michael ficou realmente morto…

Analisando a Primeira Linha do Tempo

Durante 17 anos, com exceção da 3ª parte, Halloween manteve uma linearidade que outras produções contemporâneas, muitas vezes, não tiveram. No entanto, como já dito, sofreu o mesmo desgaste que filmes semelhantes. Esse desgaste, talvez, possa ser explicado pela base frágil que sustenta a história: a maior parte dos vilões criados no período tinham como mote a vingança, mas essa vingança se esgota em um ou dois capítulos e a partir daí os roteiristas têm que requentar os argumentos. Por exemplo: em Sexta-Feira 13, Pamela quer se vingar dos instrutores pela morte do seu filho, Jason. Mas Jason volta e vê a mãe sendo morta por uma das vítimas. Ele passa, então, a matar todos que se aproximam do Lago Cristal, como forma de vingar a mãe! Após o quarto capítulo – que por si, já era uma repetição dos três anteriores – a história acaba se repetindo em demasia, ganhando um elemento novo apenas na nona parte.

Com A Hora do Pesadelo, acontece algo semelhante: Freddy entra nos sonhos dos jovens para se vingar dos pais que o mataram. Porém, os pais o mataram porque ele havia violentado e matado crianças durante um bom período de tempo. Enfim, ele está se vingando dos que já haviam se vingado! E a partir da terceira parte, a vingança entre num looping de eterna repetição.

Com Halloween não seria diferente: Michael quer exterminar os últimos resquícios de sua família: assim, volta para matar Laurie, depois Jamie e, por fim, o filho de Jamie e até os parentes adotivos de Laurie. Por quê? Talvez por pertencer à seita mostrada no filme seis. Ou talvez a seita tenha sido criada apenas porque os roteiristas tinham que dar um sentido em toda a carnificina mostrada ao longo de dezessete anos.

O fato é que, embora os roteiristas tenham tido mais cuidado com a linearidade da história – algo que não acontece em Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo – o filme passou pelo mesmo processo de desgaste que os demais.

Quando a quarta parte começa, por exemplo, já percebemos um esgotamento da fórmula e, por isso, uma tentativa de guinada matando a protagonista Laurie Strode e focando em sua descendente.

Talvez o próprio John Carpenter já tivesse previsto esse esgotamento e, por isso, tenha tentado mudar a linha narrativa com Halloween III (falaremos disso na quarta parte deste especial), mas a rejeição à mudança levaram o estúdio e os roteiristas a ressuscitarem Michael para mais três filmes.

De todo modo, pouco se acrescenta à mitologia da série nos episódios 4, 5 e 6, sendo o último o mais “inovador”, se pensarmos na criação da tal seita. Vale ressaltar, porém, que não foi criada nesta linha do tempo – ou nas duas posteriores – uma explicação plausível para Michael ser mal (algo que, lamentavelmente ocorreu nas refilmagens). E há, ainda, um sentido ancestral nessa maldade: na segunda parte, quando Loomis entra no colégio, ele vê escrita no quadro com sangue a palavra “Samhain”. Ele explica, então, ao policial que o acompanha, que a palavra remete ao tempo dos celtas, acrescentando uma breve explicação sobre sacrifícios humanos e de animais para divindades.

De acordo com os relatos de Loomis, Michael estaria repetindo esses sacrifícios ao ter matado Judith e, agora, estar matando os jovens na noite de halloween. De certo modo, essas informações são corroboradas na sexta parte, quando temos conhecimento da seita em que Michael e Jamie estão incluídos.

Por fim, percebemos que um filme que começou despretensioso em 1978, acabou tendo desdobramentos impensáveis – porém, plausíveis – para quem acompanhou a saga do começo. Na verdade, uma “simples” perseguição de um assassino a um grupo de jovens, tem seu desfecho em um ritual ancestral de sacrifício! Haja criatividade para desenvolver tantos roteiros que levassem a esse fim.

Outro aspecto da série – e não apenas desta primeira linha do tempo – é que Halloween é todo sobre a família de Laurie e Michael. Mesmo com a protagonista morrendo após a segunda parte, o eixo narrativo da história permanece centrado nos laços sanguíneos que a unem a Michael (isso só muda na terceira linha do tempo, que será devidamente tratada na terceira parte deste especial).

E, assim, ao fim da sexta parte e com a morte de Jamie, o roteiro nos sugere que Michael teria como foco agora o seu sobrinho, último descendente vivo. Além dele, e reconectando o filme a sua origem, temos os Strode e Tommy. O ciclo, então, se fecha.

Continua…