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Crítica: O Paciente – O Caso Tancredo Neves

Filme acerta por retratar período histórico sem fazer propaganda política
Por Antônio Pedro de Souza

Às vésperas de uma das eleições mais conturbadas da história do Brasil, o lançamento do filme O Paciente – O Caso Tancredo Neves ajuda a explicar ou, pelo menos, a dar uma dimensão um pouco maior da atual política brasileira.

O filme relata a eleição indireta do presidente Tancredo Neves, mas remonta a tempos anteriores: a narrativa começa exatamente no dia 31 de março de 1964, quando os militares dão um golpe e assumem o poder por 21 anos. Em seguida, passa para a campanha das Diretas Já, deixando claro que ela não surte um efeito imediato e passa, finalmente, para a eleição indireta de Tancredo.

A partir daí, o presidente começa a sentir algumas dores, cerca de três dias antes da posse e sendo internado na véspera da cerimônia – pouquíssimas horas antes de assumir a presidência do Brasil. Tancredo seria o primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura militar.

O filme retrata, além dos últimos dias de vida de Tancredo Neves, uma verdadeira guerra de egos inflados. Pra começar, o próprio ego do presidente e de sua família: ele se recusa até o último instante a ser internado e passar pela cirurgia que poderia salvar sua vida. A família, por sua vez, insiste em levá-lo para São Paulo, mesmo que não haja tempo para isso. Em seguida, os médicos que assumem o risco, mas se mostram – em certos pontos – despreparados para a intervenção necessária. Após a primeira cirurgia, uma junta médica é chamada para avaliar a situação, acirrando a disputa dos egos.

Durante a internação de Tancredo, surgem os primeiros boatos acerca de seu real estado de saúde e isso fica explícito no filme. É comum até hoje ouvirmos que “Tancredo levou um tiro” e que essa seria a causa de sua morte. Tal argumento é explorado na narrativa e algumas cenas podem ajudar a entender o porquê de tantas “lendas urbanas” em torno da morte do presidente: há, por exemplo, uma passagem no corredor do hospital em que Tancredo está em uma maca e há outro homem na maca ao lado com um ferimento na barriga. Uma mulher vê Tancredo e grita: “O presidente”. Quem estivesse mais distante e olhasse na direção, poderia confundir os doentes.

Algumas frases causam efeito impressionante na narrativa, como “O que não se vê, não existe”, que é dita quando os médicos tentam convencer Tancredo a fazer exames sigilosos no hospital. Ela causa impacto porque toda a doença do presidente é  uma grande incógnita: “ninguém” viu, “ninguém” sabe, aumentando o poder dos boatos acerca do episódio. Ainda para convencê-lo da gravidade de seu caso, o médico diz: “Morto, o senhor não toma posse!” Isso, dentro do contexto do filme, é de uma sonoridade fantástica. Tancredo ainda diz para a esposa, no decorrer da internação: “Se fosse fácil, não seria coerente com a história do país.” Por fim, e talvez a mais marcante delas, quando a junta médica debate sobre o caso após a primeira cirurgia, dois médicos conversam separadamente e um afirma: “Tanta gente querendo salvar o presidente, vão acabar perdendo o paciente.” Em suma, essa frase destaca todo o eixo central do filme – e também do período histórico retratado. Há tanta força demandada para salvar “o nome”, “a lenda”, “o título” que os médicos acabam não percebendo que estão tratando de um homem comum: idoso, gravemente enfermo. Preocupam-se mais com o cargo “presidente” a questão humana, que é realmente o que está em jogo.

O roteiro é muito bem escrito, as cenas mesclam personagens reais com ficcionais – mas que representam o real da época. E há trechos retirados de telejornais daquela década que ilustram muito bem todo o período retratado.

É impossível não se emocionar na última cena, que traz a voz marcante de Milton Nascimento com a canção Coração de Estudante e, assim como no começo, o filme não termina com a morte de Tancredo, ocorrida 37 dias após a internação, no domingo, 21 de abril de 1985. O filme explora, por meio da narração e colagem de imagens reais, o governo Sarney e a primeira eleição direta do Brasil após a ditadura militar, sagrando Fernando Collor de Mello como vencedor.

Sobre a doença, parte do mistério continua: o laudo médico apresentado informa não uma, mas várias “possíveis” doenças que podem ter causado o falecimento do presidente…

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Nota do crítico: 10

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Clique aqui para assistir ao trailer

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FICHA TÉCNICA:
Direção: Sergio Rezende
Coprodução: Morena Filmes, Globo Filmes
Distribuição: Paris Filmes, Downtown Filmes
Roteiro: Gustavo Liptzein
Direção de Arte: Marcos Flaksman
Figurino: Kika Lopes
Montagem: Maria Rezende
Maquiagem: Adriano Manques
Trilha Sonora: David Tygel
Técnico de Som: Felipe Machado
Produção Executiva: Tathiana Mourão
Produção Associada: Tiago Rezende
Direção de Produção: Barbara Isabella
Produção de Elenco: Marcela Altberg
Finalização: Thiago Pimentel
ELENCO:
Othon Bastos – Tancredo Neves
Esther Goés – Risoleta Neves
Leonardo Medeiros – Dr. Pinheiro Rocha
Otávio Müller – Dr. Renault
Paulo Betti – Dr. Pinotti
Emilio Dantas – Antonio Britto
Mário Hermeto – Tancredo Augusto
Lucas Drummond – Aécio Neves
Luciana Braga – Inês Maria Neves
Priscila Steinman – Luisa
Eucir de Souza – Dr. Freire
Leonardo Franco – Dr. Gilberto Assis
Pedro Brício – Patologista