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Crítica: O Banquete

Por Vitor Damasceno

Nada melhor que uma boa reunião na mesa, com comida de qualidade, bebida refinada a vontade, garantia de fartura e satisfação. E para fazer parte desse conjunto é comum uma boa resenha a ser explorada, nem que para isso os integrantes desse jantar extrapolem todos os limites da educação e se engalfinharem no bom e velho barraco.

Essa seria uma injusta simplificação do enredo de “O Banquete”. De fato, pessoas importantes são reunidas, mas a medida que o tempo passa percebemos que tudo gira em torno do dono do dinheiro e mesmo que o velho roteiro de todas as mulheres cobiçarem esse chefão, a diretora Daniela Thomas demonstra sua habilidade em dirigir atores sensacionais. Todos sensacionais, honrando seus personagens. Cada um a seu modo se apresenta, entrega facilmente para nós suas fraquezas e a quantidade de informações subtendidas deixa tudo cada vez mais interessante a medida que o tempo passa.

O grande mérito é que essa história é contada com esmero pelo fato de usar muito bem os detalhes do contexto e emoções dos personagens. O olhar e as palavras são usados cirurgicamente. São explorados com inteligência, sem subestimar nossa percepção, sem querer explicar as coisas gratuitamente.

O banquete em questão é ofertado ao casal mais poderoso daquele circulo de ‘amigos’. A anfitriã notavelmente possui segundas intenções e isso fica absolutamente claro em quem ela convida para o que vai ser o abate, e não um jantar.

Filmes que exploram situações como essa são inúmeros e com sucesso acentuado. O fato da cena ser limitada por um espaço reduzido faz com que os personagens sejam expostos com mais facilidade. Como não lembrar do magnífico “O Anjo Exterminador” do mestre Luis Buñuel, onde um grupo de elite é levado ao extremo da condição humana em um jantar luxuoso. A grandeza de “O Banquete” é a capacidade dos atores apresentarem as camadas de seus personagens. Nesse filme ninguém é uma coisa só e muito menos uma fortaleza. A medida que a bebida e o cansaço emocional corroem as mascaras de cada um, suas fraquezas ficam expostas. A grande atriz admirada no grupo de amigos não é esse castelo de grandiosidade, o colunista gay metido a culto mal sabe falar o inglês básico sem sotaque, o chefe não é tão soberano assim quanto sua fama o faz. Mas você pode perguntar qual o objetivo disso tudo? Por que é tão interessante assistir de camarote essa quase epopeia de muitos heróis? Simples, pelo fato de nos identificarmos com essas pessoas, mesmo que as histórias pessoais delas sejam o oposto da nossa. E também claro, por ser um filme de Daniela Thomas! Não subestime o cinema brasileiro e saia um pouco da comédia popular. Ou melhor, o que não falta é comédia nesse verdadeiro thriller que consegue brincar inclusive com citações politicas de que é bem provável que estejamos condenados por muito tempo a sofrer.

***

Nota do crítico: 9 de 10

***

Ficha técnica:
O Banquete (Brasil, 2018)
Direção e roteiro: Daniela Thomas
Elenco: Drica Moraes, Mariana Lima, Bruna Linzmeyer, Chay Suede, Caco Ciocler, Fabiana
Produção: Dezenove Som e Imagem
Distribuidor brasileiro: Imovision