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6ª edição do Janela de Dramaturgia começa 22 de agosto no CCBB-BH

Mostra conta com a leitura de textos teatrais inéditos, escritos por autores de diversas regiões do país; Programação reúne oficinas, debates, mesas-redondas, produção de críticas e tradução de textos estrangeiros
Por Redação Feira Cultural

O projeto Janela de Dramaturgia promoveu ao longo de seis anos de atuação em Belo Horizonte uma extensa programação dedicada a fomentar, valorizar, divulgar e incentivar a nova dramaturgia brasileira. A iniciativa idealizada pelos dramaturgos Sara Pinheiro e Vinícius Souza, hoje se tornou um movimento que é referência na área para todo o país, desenvolvendo um papel fundamental no cenário teatral e chega à sexta edição na quarta-feira (22). A programação, que se estende de agosto a dezembro, no CCBB-BH, a sua 6ª edição, apresentará ao público a leitura dramatizada de dez obras inéditas, escritas por autores brasileiros, além de dois textos de dramaturgos estrangeiros.

A abertura da 6ª Janela de Dramaturgia será ocorre com a realização de duas atividades educativas. A primeira delas, às 19h, é a roda de conversa “Como você Faz? Processos e vozes contemporâneas na dramaturgia”, que receberá as dramaturgas convidadas Ave Terrena, Janaína Leite e Maria Shu para debaterem a respeito de seus processos criativos e das dificuldades do atual cenário da dramaturgia brasileira. Em seguida, às 20h30, ocorrerá a palestra “Estar/pensar/fazer”, ministrada pela premiada dramaturga argentina Romina Paula. O encontro dá continuidade ao intercâmbio com a produção teatral e de dramaturgia na América Latina que a Janela de Dramaturgia tem promovido em seus anos de atuação.

Após as atividades educativas, a Janela de Dramaturgia se desloca até a Rua Sapucaí, importante e efervescente corredor cultural de Belo Horizonte, para celebrar a abertura desta sexta edição com uma festa na Salumeria Central, com apresentação do show “Coisas de Bicho”, da cantora, atriz e dramaturga Luísa Bahia. No repertório, canções autorais que exploram a palavra falada e performatizada.

A mostra de textos, que segue de agosto a dezembro desse ano, apresenta dez trabalhos inéditos que juntos compõem um quadro de grande diversidade formal, estética e temática, que vai do drama ao performativo, da conversa ao solilóquio, do fragmento à narrativa contínua, da fala impulsiva à pausa silenciosa, dos encontros amorosos aos departamentos trabalhistas, das narrativas de guerra aos mitos indígenas. A cada encontro será realizada a leitura de 2 textos: um assinado por um autor mineiro e outro por um dramaturgo de outra região do país, oferecendo assim a oportunidade para que novos nomes do cenário de dramaturgia contemporâneo possam surgir e se consolidar.

Após as leituras dos textos, ocorrerão bate-papos com os respectivos autores, um(a) debatedor(a) convidado(a), sempre ministrados pela renomada crítica teatral e coordenadora da programação crítica da mostra, Luciana Romagnolli. A edição desse ano conta ainda com a participação de mais de quinze críticos, pesquisadores e artistas que estarão por conta de produzir textos críticos, provocar e aprofundar os debates a cerca das dramaturgias apresentadas.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA MOSTRA AQUI

O primeiro encontro para leitura de textos da 6ª edição da Janela de Dramaturgia acontecerá no dia 29/08, às 19 horas, no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, para a leitura e interpretação dos textos “O Candidato”, de Joelson Jogosi (Cuiabá/MT) e “SEM DONO: exílio-agência-existência”, de autoria de Daniel Toledo e Will Soares (Belo Horizonte/MG).

“O Candidato”, peça do mato-grossense, acompanha a jornada de um homem que se lança em um labirinto de entrevistas, testes e avaliações, em busca de um emprego, cada vez mais distante. “Na inquietação de discutir questões inerentes à nossa época, dediquei-me a problematizar a exclusão social do mercado de trabalho. Não que seja função do artista resolver problemas sociais, mas afetar o indivíduo para que ele deseje as transformações. Acredito que cabe a nós, artistas, não ignorar essa responsabilidade. É esse o lugar em que me coloco quando escrevo para o teatro”, conta Jogosi.

A segunda obra a ser apresentada na noite, intitulada “SEM DONO: exílio-agência-existência” convida o público a experimentar três perspectivas de uma mesma história, bastante familiar à realidade brasileira. Inspirado em memórias pessoais que remetem à vida nas bordas de grandes cidades latino-americanas, o texto reúne vestígios de uma herança colonial marcada pela ausência paterna e a luta por liberdade e autonomia. A partir de situações e reflexões cotidianas, propõe-se ao espectador uma jornada rumo à complexa intimidade de três personagens, desconstruindo criticamente os típicos conflitos da modernidade e as tradicionais estruturas do drama burguês.

“Sem Dono foi construída a partir de diferentes pontos de vista sobre um mesmo contexto social e familiar. A narrativa é composta por conversas distorcidas, situações inacabadas, histórias que se revelam gradualmente, e sob diferentes perspectivas. Talvez essa estrutura reflita o processo de criação, em que reunimos e articulamos nossas memórias íntimas e sociais, transformando essas memórias nos múltiplos discursos da peça”, conta Will Soares.

A programação da Janela de Dramaturgia prevê, também, a realização de uma oficina gratuita e aberta ao público, intitulada “Estrangeiro na sua própria lingua”. Ministrada pela dramaturga Romina Paula, a atividade trabalhará a partir do conceito de “ostranenie” (estranhamento), criado pelos formalistas russos e cunhado especialmente por Viktor Chklóvski, que utilizava a palavra ostranenie (остранение) para se referir aos modos de proceder na linguagem literária cujo objetivo é proporcionar uma nova perspectiva à visão habitual da realidade, apresentando-a em contextos diferentes do cotidiano ou representando-a de uma maneira em que se nota que a representação é uma ficção.

A atividade, que ocorrerá de 24 a 26 de agosto, das 14 às 17 horas, no CCBB-BH, promoverá exercícios rumo à escrita de uma obra a partir da premissa de estranhamento dentro da própria língua. A ideia é trabalhar com um procedimento que afastem os participantes da língua, ou que proponha algum tipo de intervenção sobre ela, sempre aplicados no processo de criação e escrita teatral. O público interessado pode realizar a inscrição neste link.