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Bia Nogueira faz show cênico de lançamento de seu disco solo “Diversa”

Com participação especial de Titane, apresentação acontece na sexta-feira (17), no teatro Sesiminas
Por Redação Feira Cultural

Na sexta-feira (17), a multiartista Bia Nogueira faz show de lançamento de Diversa, seu álbum solo de estreia, no Teatro Sesiminas. A apresentação começa às 20h e tem participação especial da cantora Titane e da banda A Carta, formada por Débora Costa (bateria e percussão), Bruno de Oliveira (baixo) e Thiago Quintino (piano). Os Ingressos estão à venda a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada) na bilheteria do teatro ou neste link.

Com influências que vão da música tradicional afro-brasileira à eletrônica, “Diversa” conta com sete canções, intercalando composições próprias e da novíssima cena da música mineira, como Guilherme De Marco, Thiago Quintino, Charley Vasconcelos, Pamelly Marafon e Leo Kildaere, além de um tema de Lecy Brandão. Tanto o processo de composição do álbum quanto o show são atravessados por sua forte relação com o teatro, sempre em diálogo com a música. Plural e diverso como ela própria, o álbum é, “o olhar de uma mulher negra que vem se construindo e construindo uma narrativa sobre o mundo percebido através dessa perspectiva”, define Bia.

“Diversa”, disco solo de Bia Nogueira, vai da música tradicional afro-brasileira ao som eletrônico © Paulo Abreu

Entre as canções do repertório, destacam-se as faixas “Mantra Diversas”, homenagem ao festival ‘Arte e Feminismo’, que acontece em Belo Horizonte; e “Dandara”, na qual Bia homenageia a guerreira negra liderança do quilombo dos Palmares. Ativista, Bia Nogueira faz parte de vários grupos e iniciativas de valorização da mulher compositora como o Coletivo Mulheres Criando e o Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras. Por meio da cia teatral Grupo dos Dez, se dedica à pesquisa em torno do musical tipicamente brasileiro. No último ano recebeu diversos prêmios pelo espetáculo ‘Madame Satã’, dirigido por João das Neves, onde além de atuar também assina a direção musical.

O show é atravessado por sua forte relação com o teatro, seja com o teatro musical que realiza no Grupo dos 10, em participações em coros cênicos dos diversos musicais para os quais foi já convidada, seja pela equipe que envolveu no projeto, como a direção de Poliana Horta, que já a dirigiu nos palcos. Rodrigo Jerônimo também foi parceiro no espetáculo “Madame Satã”.

“Dandara”, letra e música da artista, foi composta para um espetáculo que ela integrava com o Grupo dos 10, juntamente à cia Agrupa. Das quatro guerreiras negras de forte papel histórico, ela ficou encarregada de fazer o papel de Dandara. “Compus essa música pra ela. Gostei e, depois de apresentar, acabou entrando pro meu repertório, porque eu senti que dizia muito também sobre as mulheres negras de hoje.”

A música ganha novo significado com o lançamento do videoclipe que conta com a participação de um grande número de mulheres, expressando a força feminina inspirada na própria guerreira. O vídeo teve grande visibilidade, chegando a quase 2 mil compartilhamentos na rede social.

“Mantra Diversas” – em 2016, quando integrou a produção da segunda edição do Festival Diversas, Bia Nogueira se sentiu impactada e emocionada por aquele gigantesco evento que ocupou toda a cidade com mulheres de todas as áreas, de artistas a artesãs. O tema foi apresentado num show durante o próprio festival, na Gruta, e rapidamente virou um mantra, trazido hoje em seus shows com a voz daquelas mulheres entrando em looping. “É sempre muito emocionante.”

A despeito de ser um lançamento de disco, com os arranjos mais próximos o possível das gravações, o show é também um espetáculo cênico, com linha dramatúrgica, projeções. “Quando faço uma música ou vou interpretar, sempre penso em imagens, sempre crio uma história imagética. Então nada mais natural que meu show também ter essa característica”, pontua Bia Nogueira.

O show traz parceiros de vida, palco e shows, como o irmão Rodrigo Jerônimo e parte das mulheres que integram as 20 vozes do coro da música “Mantra Diversas”. E o grande destaque fica por conta da participação especial da cantora Titane, com quem já trabalhou em projetos como “Titane e o Campo das Vertentes”. “Ela é minha mestra maior. Junto com o João das Neves, é meu norte ético, estético e político nas artes.”

Outro destaque fica por conta da própria banda que a acompanha, A Carta, formada por Débora Costa (bateria e percussão), e Bruno de Oliveira (baixo) e Thiago Quintino (piano). Pela relação orgânica entre artistas e instrumentistas, que assinam boa parte dos arranjos do disco, o grupo ganha a partir de agora status de parte constitutiva e essencial do trabalho. “Esse lançamento marca então essa nova fase, mostrando a personalidade dessa banda, já que a estética do meu trabalho passa necessariamente por esses músicos que me acompanham”, explica.

Show de lançamento acontece na sexta-feira (17), no teatro Sesiminas © Cleópatra

O repertório do álbum mescla músicas autorais com temas de compositores da nova cena autoral mineira, além de uma de autoria de Lecy Brandão. “Procurei um repertório que me contemplasse nas questões que me preocupam como artista e pessoa política que sou. Escolhi um repertório muito afetivo”. Nesse sentido, o álbum traz naturalmente obras de amigos e parceiros, como Fabrício Belmiro e Thiago Quintino (“Anunciação”), quanto obras que falam de conflitos irracionais contemporâneos, como “Ignomínia”, em que Tamara Franklin faz uma rima atual sobre a perspectiva da mulher no rap.

Outro assunto sensível à artista aparece em “Água”, tema que a motivou a fazer sua primeira graduação, em Geografia, pela UFMG. Tempos depois, quando viu Pamelli Malafon interpretando a composição no festival Sonora, logo se identificou. “Era a música que eu gostaria de ter feito. Como também sou intérprete, uma intérprete que foi virando compositora, abracei aquela música.”

A única composição do álbum de artista de renome fica por conta de “Zé do Caroço”, de Lecy Brandão, compositora que Bia inclusive considera subvalorizada na MPB. “Acho que por não ser homem ela não recebeu o devido reconhecimento que merece. E é uma composição política, que me representa totalmente.”

O disco “Bia Nogueira – Diversa” contou com pré-lançamento em março deste ano pelo projeto “Salve o Compositor”, do SESC Palladium. No contexto do Dia Internacional da Mulher, a apresentação integrou a programação do I Festival Imune – Instante da Música Negra, organizado pelo Coletivo Imune, o qual Bia é idealizadora.

Serviço:
Show de Lançamento do disco “Diversa”, de Bia Nogueira
Data:
17/8 (sexta-feira)
Horário: 20h30
Local: Teatro Sesiminas
Endereço: Rua Padre Marinho, 60 – Santa Efigênia
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00
Informações: (31) 3241-7181