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Belo Horizonte recebe exposição inédita que retrata a vida de São Francisco de Assis

“São Francisco na Arte de Mestres Italianos” está aberta a visitações gratuitas na Casa Fiat de Cultura até 21 de outubro; Mostra reúne 20 obras que datam os séculos XV e XVIII, de grandes mestres italianos
Por Redação Feira Cultural

San Francesco In Preghiera (1584) Annibale Carracci © Divulgação /Casa Fiat de Cultura

Séculos se passaram e as artes renascentista e barroca continuam encantando a humanidade. Obras de mestres como Tiziano Vecellio, Perugino, Orazio Gentileschi, Guido Reni, Guercino, Carracci e Cigoli fazem, hoje, parte de importantes coleções italianas e chegam pela primeira vez ao Brasil. Este incomparável acervo poderá ser apreciado na Casa Fiat de Cultura, de 8 de agosto a 21 de outubro, na exposição gratuita São Francisco na Arte de Mestres Italianos, que reúne 20 pinturas realizadas entre os séculos XV e XVIII. A curadoria é dos italianos Giovanni Morello, especialista em História da Arte – que idealizou e curou diversas exposições de arte antiga na Itália, no Vaticano e outros países e integra a comissão permanente de tutela dos monumentos históricos e artísticos da Santa Sé – e do professor Stefano Papetti, diretor da Pinacoteca Civica di Ascoli.

A mostra apresenta as fases mais relevantes da representação de São Francisco por meio de obras que se integraram à cultura local de toda uma época e que ainda encontram espaço na cultura ocidental por seus valores artístico, histórico e simbólico. Entre as obras, o público conhecerá quadros de grandes mestres do Renascimento e Barroco italianos. Artistas que, em seus ateliês, receberam, ensinaram e influenciaram outros expoentes da história da arte. Perugino, por exemplo, foi o mestre de Rafael Sanzio, e Tiziano teve Tintoretto e Veronese como seguidores.

As pinturas de destaque da mostra são “San Francesco riceve le stimmate” (1570), de Tiziano Vecellio, “San Francesco sorretto da un Angelo” (primeira metade do séc. XVII), de Orazio Gentileschi, “San Francesco confortato da un angelo musicante” (1607-1608), de Guido Reni, que também pintou o estandarte “Francesco riceve le stimmate (frente); San Francesco predica ai confratelli (verso)” (séc. XVII), “San Francesco d’Assisisi e quattro disciplinati” (1499), de Perugino, e “San Francesco riceve le stimmate” (1633), de Guercino.

Segundo o Embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini, “há grande satisfação e orgulho em poder oferecer, pela primeira vez, ao público brasileiro uma parte tão rica e importante do tesouro da arte e da história italianas e de compartilhá-la com os muitos admiradores da herança cultural italiana no Brasil. Esta mostra é uma iniciativa inédita e altamente relevante por seu alcance e valor cultural, entre as que realizamos nos últimos anos”.

Proporcionando uma experiência imersiva e única, a mostra também inclui uma sala de Realidade Virtual que vai transportar o visitante da Casa Fiat de Cultura para a Basílica Superior de Assis (1228), na Itália, com o uso de óculos de tecnologia 3D. Será possível fazer um passeio visual por uma das mais importantes e belas basílicas do país e conhecer obras-primas do pintor italiano Giotto (1267-1337), artista símbolo dos períodos medieval e pré-renascentista. O percurso expositivo possibilita ao público visitante acompanhar a evolução da representação iconográfica de São Francisco, o santo católico mais retratado na história da arte, de acordo com o curador Papetti. O simbolismo de Francisco é universal, “isso por causa das ações que seus seguidores vêm fazendo há séculos em favor da evangelização e do progresso social”, explica o curador Morello.

La Visione Di San Francesco (sem data) Francesco Solimena © Divulgação /Casa Fiat de Cultura

Núcleos da exposição
Imagem – O primeiro núcleo da mostra apresenta São Francisco nas artes renascentista e barroca influenciadas pela primeira fase de representação do santo. Morto na Itália em 1226 e canonizado dois anos mais tarde, iniciou-se em meados do século XIII uma grande produção de imagens do santo que focavam em sua aparência simples e sofrida. A figura de Francisco transmitia as privações a que se submetia, sempre com grande força espiritual.

Quatro obras fazem parte deste núcleo: “San Francesco d’ Assisi e quatro disciplinati” (1499), de Pietro Perugino e Giovan Francesco Ciambella, “San Francesco” (sem data), de Giovan Francesco Barbieri, conhecido como Guercino, “Estasi di San Francesco” (primeira metade do séc. XVII), de Cesare Fracanzano e “St. Francis contemplating a skull” (1604-07), de Ludovico Cardi, conhecido como Cigoli.

Os Estigmas – Este núcleo ilustra a segunda fase da representação de São Francisco, advinda da chegada de Giotto (1267-1337) à cena artística, pintor que revolucionou a iconografia do santo. Seu famoso ciclo de afrescos da Basílica Superior de Assis elucida essa ruptura: sai de cena o São Francisco magro e sofrido e entra um santo dotado de um rosto angelical, um ícone de beleza espiritual e física. É como se os pintores dissessem que, com a morte, o santo abandonou todo o sofrimento e renasceu.

San Francesco Riceve Le Stimmate (1570) Tiziano Vecellio © Divulgação /Casa Fiat de Cultura

Nos afrescos, Giotto também insere a cena dos estigmas – o aparecimento de marcas semelhantes às chagas de Jesus Cristo no corpo de Francisco, ocorrido em 1.224, no Monte della Verna, dois anos antes da sua morte. O fato fez grande sucesso entre artistas dos séculos seguintes, principalmente porque Francisco ficou conhecido por ser o primeiro homem a ter os estigmas. O episódio é, sem dúvida, aquele mais retratado da vida de São Francisco e, por isso, este é o núcleo com o maior número de obras da exposição. Apesar da repetição do sujeito, a sucessão das pinturas escolhidas pela curadoria fornece uma visão variada e expressiva do evento considerado milagroso à época.

Doze obras fazem parte deste núcleo: “San Francesco” (1467), de Antoniazzo Romano, “San Francesco riceve le stimmate” (1570), de Tiziano Vecellio, “San Francesco Penitente” (1583), de Annibale Carracci, “San Francesco in preghiera” (1584), de Annibale Carracci, “San francesco d’Assisi riceve le stimmate ala Verna” (séc. XVII), de Andrea Vaccaro, “San Francesco sorretto da un Angelo” (1612-1614), de Orazio Gentileschi, “San Francesco d’Assisi riceve le stimmate” (séc. XVII), de Cristoforo Roncalli, conhecido como Pomarancio, “San Francesco confortato da un angelo musicante” (1605-1610), de Guido Reni, “La visione di San Francesco” (sem data), de Francesco Solimena, “San Francesco riceve le stimmate (frente); San Francesco predica ai confratelli (verso)” (1629), de Guido Reni, “San Francesco d’Assisi medita sulla morte e sulla vita” (séc. XVII), de Candielight Master (Trophime Bigot), e “San Francesco riceve le stimmate” (1633), Giovan Francesco Barbieri, conhecido como Guercino.

Conversas Sagradas – O último núcleo da exposição apresenta a terceira fase da representação de São Francisco, na qual a imagem do santo é associada à iconografia da Virgem Maria com o Menino Jesus, da cruz de Cristo e de outros santos franciscanos. Esta fase decorre do momento em que Francisco de Assis se torna grandioso no imaginário da época. Primeiramente representado como um pobre homem faminto e malvestido, depois como um belo santo com as chagas de Cristo, a iconografia de sua santidade chega ao ápice no momento em que ele divide espaço com as figuras mais importantes do catolicismo, Maria e Jesus, e com seus discípulos, os franciscanos.

Nesse núcleo estão as obras “San Francesco d’Assisi abbraccia i piedi di Cristo Crocifisso” (séc. XVIII), Alessandro Magnasco, “La Madonna del latte con i SS. Sebastiano, Rocco, Francesco e Antonio da Padova” (Sec. XVI), de Cola dell’Amatrice, “Natività con i Santi Gerolamo, Francesco, Antonio da Padova e Giacomo della Marca” (sem data), de Cola dell’Amatrice e Ascoli Piceno e “San Francesco d’Assisi, Sant’Antonio da Padova e San Bonaventura da Bagnoregio” (séc. XVII), de Andrea Lilli.

Uma visita à Basílica Superior de Assis em 3D – Na sala de Realidade Virtual da exposição “São Francisco na Arte de Mestres Italianos”, por meio do uso de óculos de tecnologia 3D, o público da Casa Fiat de Cultura poderá visitar a nave da Basílica e apreciar obras-primas do pintor Giotto (1267-1337): o ciclo de afrescos “Le storie di San Francesco”, que mostra 28 episódios da vida de São Francisco, pintados entre 1292 e 1296. Ligada à sala de Realidade Virtual, encontra-se uma sala de vídeo que também mostra o ciclo de afrescos para aqueles que preferirem não utilizar o óculos.

O óculos possui um sistema de audioguia, que vai conduzir o visitante desde a fachada da Basílica, explicando seus aspectos arquitetônicos e a escolha da colina para a construção, conhecida como “Monte do Inferno” no período medieval, onde eram enterrados os condenados e executados. A viagem segue para a nave da Basílica, na qual ganham destaque descritivo nove afrescos de Giotto: “Francisco homenageado por um homem simples”, “A renúncia aos bens paternos”, “A visão dos tronos celestiais”, “A prova do fogo de frente ao sultão”, “Oração aos passarinhos”, “Francisco recebe os estigmas no Monte Alverne”, “A morte de Francisco”, “O pranto de Clara e de suas companheiras sobre o corpo do santo” e “A liberação do herege arrependido”.

La Madonna Del Latte Con ISS. Sebastiano Rocco Francesco e Antonio da Padova (sécXVI) Cola Dell Amatrice © Divulgação /Casa Fiat de Cultura

Os elementos de São Francisco na construção da galeria – No momento de projetar a expografia de “São Francisco na Arte de Mestres Italianos”, os arquitetos Paulo Waisberg e Clarissa Neves buscaram trazer à galeria diversos elementos que remetem ao santo e à Basílica na cidade de Assis, um dos monumentos mais importantes da religião católica e que está repleta de obras de arte.

Logo na entrada da galeria, o visitante se depara com uma revoada de pássaros. Os pássaros que pendem do teto são feitos de papelão, um material que remete à simplicidade franciscana, e são uma referência ao episódio em que São Francisco prega aos pássaros, no entendimento de que todas as criaturas de Deus são iguais e capazes de ouvir seus ensinamentos. Outros elementos utilizados foram a corda, material que os franciscanos usam para amarrar suas vestimentas, e os tecidos remendados das batas franciscanas, que também exprimem a simplicidade da vida das pessoas que escolhem trilhar os caminhos de Francisco.

Uma das características mais marcantes da Basílica, os arcos plenos, foram utilizados na exposição para dividir os ambientes, como portais de transição entre um núcleo temático e outro. Da Basílica também é usada a rosácea, um avanço tecnológico para as construções da época, e que traz um significado simbólico de iluminação sagrada, pois só com a invenção das rosáceas foi possível iluminar melhor o interior das igrejas. A imagem da rosácea pode ser conferida na sala de Realidade Virtual, uma alusão à “janela para outro mundo” que o óculos 3D representa.

Saint Francis Contemplating a Skull (1604) Ludovico Cardidetto Cigoli © Divulgação /Casa Fiat de Cultura

Os núcleos da exposição também podem ser reconhecidos pelas cores das paredes da galeria. O primeiro núcleo, “Imagem”, é azul, retratando a representação “pura” de São Francisco no momento em que é canonizado e suas representações em pintura começam; o segundo, “Os Estigmas”, é roxo, que remete à penitência e morte dentro do catolicismo, relacionando ao momento de maior dor de Francisco; e o último núcleo, “Conversas Sagradas”, é vermelho, uma cor de nobreza, mostrando um São Francisco glorioso, em diálogo com as santidades, e consagrado como um dos santos mais populares da história.

A exposição traz acervos de 15 museus de 7 cidades italianas: Galleria Corsini, Palazzo Barberini, Musei Capitolini, Museo di Roma, Museo Francescano dell’Istituto Storico dei Cappuccini (Roma); Pinacoteca Civica, Sacrestia della chiesa di San Francesco, Convento Cappuccini (Ascoli Piceno); Museo Nazionale d’Abruzzo (L’Aquila), Galleria Nazionale dell’Umbria (Perugia); Istituto Campana per l’Istruzione permanente (Osimo); Museo Civico (Rieti), Pinacoteca Nazionale (Bolonha) e Duomo di Novara (Novara). A mostra conta, ainda, com uma importante obra de Ludovico Cardi (conhecido como Cigoli), “St. Francis Contemplating a Skull”, propriedade do colecionador e ator ítalo-americano Federico Castelluccio. O quadro virá de Nova York para integrar a exposição de Belo Horizonte.

Para o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira, “São Francisco chega à Casa Fiat de Cultura com sua grandiosa simplicidade. Homem santo que faz parte da construção da nossa identidade cultural. Em Ouro Preto, antiga capital de Minas Gerais, uma das principais igrejas carrega seu nome e revela toda a riqueza do nosso barroco. Em Belo Horizonte, um dos seus ícones é a Igrejinha da Pampulha, que de forma ousada imortalizou São Francisco pelas mãos do mestre Portinari. Sua história se faz atual com valores de amor ao próximo, humildade e respeito à natureza. Uma imagem que passou por transformações ao longo da história da arte com obras-primas dos grandes mestres italianos que os brasileiros poderão apreciar nessa exposição”.

 

Serviço:
Exposição “São Francisco na Arte de Mestres Italianos”
Período expositivo:
8/8 a 21/10
Horário: terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Local: Casa Fiat de Cultura
Endereço: Praça da Liberdade, 10 – Funcionários
Entrada gratuita
Informações:
(31) 3289-8900 | casafiatdecultura.com.br