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Crítica: “Hereditário”

Por Vitor Damasceno

Cada vez mais, o gênero de terror é um dos mais difíceis de se renovar na originalidade, ao mesmo tempo que continua sendo tão querido. É cheio de recursos aprimorados da linguagem cinematográfica que o grande público já é familiarizado. Quem senta na cadeira do cinema para assistir duas horas de susto, horror ou nojo geralmente é fã do gênero, o que torna o público cada vez mais exigente, e disso poucos filmes sobrevivem ao teste do tempo. Nesse contexto, “Hereditário” não é um filme para se passar batido.  Uma história contada sem entregas óbvias, com atores empenhados, estética aprimorada, tudo conduzido por um tipo direção cinematográfica fora do lugar comum e bastante ousada.

Temos a história de uma família com casal de filhos, que perdem sua avó. Obviamente o resto do enredo tem que ser visto no cinema. Devido a qualidade dos atores é rápida nossa aproximação com os personagens ao mesmo tempo que ficamos em dúvida em quem são essas pessoas realmente. Cada diferente mistério vai sendo apresentado. As imagens são requintadas e influenciam bastante na forma como a história é narrada. A perda do parente é o foco inicial e à medida que você conhece cada pessoa da família percebe que existem coisas para além do estranho com elas. O bom disso tudo é que não temos um monstro escondido, ou um fantasma para puxar seu pé ou uma chacina desenfreada por sustos bobos. Existindo ou não esses recursos, eles são apresentados com muita credibilidade e requinte. Tudo acontece fora do óbvio e dentro da individualidade de cada personagem o que fica bem mais interessante.

A trama do filme fica marcada depois da morte da familiar, assistimos a um conjunto de comportamentos que são todos colocados em dúvida não só por nós como pelo próprios personagens:  a neta aparentemente lida com a solidão, o neto segue a vida embora fica claro que há tormentos internos desconhecidos, a mãe parece ser a mais atormentada pelo passado da família ao passo que se apresenta como a mais consciente de tudo, e o pai carrega amor capaz de ‘salvar’ toda a família. Tudo da persona dessas pessoas é posto em teste e pode ser desconstruído, como bem gostava de fazer Stanley Kubrick. Aliás, pode-se dizer que bastante deste visionário cineasta é encontrado em “Hereditário”.

Por outro lado, não temos aquele jogo bobo de roteiro de cinema onde te apresentam algo para mais tarde desconstruir como recurso para dizer, ‘olha como sabemos escrever um bom filme com reviravolta!’

Talvez o único problema do filme para com o público é seu ritmo mais lento, contudo isso é essencial para o mesmo ser de fato o que é, um produto mais refinado do terror onde não só o monstro externo que atormenta os personagens é o foco. Os netos, a filha e o marido são importantes em todos os momentos com suas dores pessoais. Há um momento de alto nível onde a mãe devastada pela quantidade de problemas desaba uma crítica honesta ao filho e é o tipo de coisa que não se vê em filmes como esse, pelo menos com tanta força como foi interpretado pela excelente atriz que faz a mãe, Toni Collette.

Hereditário” acaba de certa forma se afastando do terror entregando um filme complexo. Há um argumento em volta de tudo, mas você vai perceber que com ele há muitas formas de se entender aquela tragédia familiar e então não fique absolutamente certo que o final do filme é aquilo que está sendo exibido.

 

***

 

Nota do crítico: 9,2 de 10

 

***

 

Ficha técnica:

 

Hereditário (Hereditary, EUA, 2018)

Direção: Ari Aster

Roteiro: Ari Aster

Elenco: Toni Collette, Gabriel Byrne, Alex Wolff, Milly Shapiro, AnnDowd

Distribuidor brasileiro: Diamond Films