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[ENTREVISTA] Felipe M. Guerra fala sobre ‘A Próxima Vítima’, terror nacional e divulga novos projetos

Cineasta e jornalista do Rio Grande do Sul esteve em Belo Horizonte para uma sessão comentada do filme de 1983
Por Antônio Pedro de Souza

O jornalista e cineasta Felipe M. Guerra esteve na capital mineira em 04 de junho para comentar uma sessão do filme A Próxima Vítima, de João Batista de Andrade, lançado em 1983. De acordo com Guerra, o filme dialoga tanto com a época em que foi feito, quando com os dias atuais. Em entrevista ao site Feira Cultural, ele comenta o filme, fala sobre o cinema de terror no Brasil e anuncia seus novos projetos. Confira abaixo:

APS -> Qual o principal diálogo que ‘A Próxima Vítima’ mantém com o atual cenário brasileiro?

Assunção Hernandes e Felipe M. Guerra conversam com o público após a sessão de “A Próxima Vítima” – Foto: Antônio Pedro de Souza

FELIPE M. GUERRA -> Já se vão mais de 30 anos desde que o filme foi feito e é incrível como se mantém atual. O filme é menos sobre os crimes do Brás e mais sobre o medo de que as coisas não mudem e… acho que não mudaram, sabe? Passaram-se esses anos e as coisas continuam mais ou menos como ali: há um clima de desesperança política. O filme se passa no momento da primeira eleição para governador depois de muitos anos de ditadura e tem uma politização muito grande entre situação e oposição que é o que a gente vem vivendo nas últimas eleições; há um clima geral de insegurança, uma imprensa que tem um papel meio curioso que é o que estamos vivendo.

Felipe ainda comentou um fato curioso sobre o fim do filme: segundo o jornalista, ao final do longa há um clima de esperança pois a ditadura está acabando mesmo que ainda haja violência e assassinatos nas ruas e hoje ele percebe um movimento oposto: “Agora me parece que a situação, ironicamente, se inverteu: a gente tem uma democracia muito machucada, muito ferida e muitos maníacos no Brás ao ponto de as pessoas quererem a volta da ditadura. Acho horrível isso! Acho uma ironia tenebrosa. Por isso, acho esse filme muito atual. Outro aspecto que continua atual é o fato de que sempre que precisam de alguém pra botar a culpa eles pegam um suspeito negro. Inclusive o personagem que é suspeito no filme fala: ‘Toda vez que precisam de um suspeito, eles pegam um negro.’ E, quantas vezes não vemos isso? Quantos suspeitos de pele negra são apresentados e não se sabe nem de onde esses caras saíram? Então, acho que ‘A Próxima Vítima’ é um filme fundamental para entender o Brasil como era e como parece que estão querendo voltar. O pessoal parece que está com saudade daquele tempo… Tem gente que tem uns fetiches estranhos com militares que não consigo entender. Acho que pouca coisa mudou desde que João Andrade fez o filme e isso pra mim é a coisa mais assustadora do filme: o fato de ele continuar atual e não deveria ser. Era pra ser um filme de um período, uma época: 1982 e 1983 e olhando assim parece que foi feito ontem.

APS -> Como você avalia o gênero terror no atual cenário do cinema brasileiro?

FELIPE M. GUERRA -> Eu acho que a gente está vivendo um momento muito legal. Este ano, por exemplo, tivemos várias produções brasileiras no Fantaspoa (Festival realizado no Rio Grande do Sul), mas teve um ano que tivemos sete filmes brasileiros entre fantasia e terror o que é algo extraordinário, considerando que até algum tempo atrás ninguém produzia terror no Brasil. Demorou bastante para que se tivesse essa retomada do gênero aqui no Brasil e, infelizmente, ainda está restrito a festivais, não alcançando muitas vezes o grande público. Alguns cineastas conseguem vencer essa barreira e chegar a festivais que não se limitam ao gênero da fantasia e terror e ainda lançar comercialmente. É um caminho que está sendo aberto, mas há ainda um certo preconceito do mercado e também do público.

APS -> Quais são os próximos projetos do Felipe Guerra?

Com bom humor, Felipe M. Guerra anunciou seus próximos trabalhos – Foto: Antônio Pedro de Souza

FELIPE M. GUERRA -> É difícil falar dos próximos projetos porque eu faço muita coisa ao mesmo tempo e acabo não fazendo direito (risos). Eu quero retomar o blog que eu escrevo há muitos anos: ‘Filmes pra Doidos”. Por coincidência, ele está parado há quatro anos, mas quero retomá-lo. Foi uma promessa que fiz. Eu trabalho atualmente como programador em uma sala de cinema alternativo e estou editando dois documentários. Um sobre o diretor Ruggero Deodato (cineasta italiano que dirigiu Cannibal Holocaust), que chama ‘Deodato Holocaust’ e foi filmado no Fantaspoa do ano passado, quando ele esteve em Porto Alegre. E estou terminado de filmar um outro documentário, em parceria com a produção do Fantaspoa, que se chama ‘Fantastic Woman’. É sobre mulheres realizadoras de cinema do gênero. Nós começamos a perceber que havia cada vez mais mulheres vindo do mundo inteiro para o Fantaspoa e nós começamos a entrevistá-las. Acho que é um momento bom para se discutir como cresceu o cinema produzido por mulheres. Particularmente, quando eu vou ver um filme eu não me prendo no sexo do diretor, mas acho que é uma boa discussão: mulheres sempre fizeram cinema de terror, mas nunca se falou nelas, elas sempre ficaram meio ‘escanteadas’. Agora que elas estão ganhando as luzes do palco vamos, finalmente, dar a elas o devido destaque que já mereciam ter recebido há muito tempo. Então, espero que o ‘Fantastic Woman’ mostre para as pessoas que, sim, mulheres fazem filmes de terror, de ação, pornô… Podem fazer o que elas quiserem!

Após a entrevista (que você pode conferir também em vídeo, logo abaixo), Felipe posou para algumas fotos, deu autógrafo e entrou para acompanhar a sessão do filme. Quando o longa terminou, o cineasta e a produtora Assunção Hernandes comentaram alguns aspectos do filme e responderam a perguntas dos espectadores. Isso, porém, será assunto para uma nova matéria.

– Clique aqui para assistir ao webprograma ‘Bom Dia, Mundo!’ com a entrevista em vídeo de Felipe M. Guerra –

– Clique aqui para ler o curioso relato do colunista Antônio Pedro de Souza sobre como conheceu o trabalho de Felipe M. Guerra –