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[MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE 04] – Michael Myers volta ao cinema 4 décadas após o clássico de John Carpenter

Filme ganha trailer e promete continuar a história após os eventos ocorridos em 1978… de novo!
Por Antônio Pedro de Souza

Que as grandes séries cinematográficas deslizam na coerência, isso não é segredo para ninguém: Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, e O Massacre da Serra Elétrica são alguns exemplos de que, ou você gosta do filme e do assassino central ou você liga para cronologia/coerência. Com Halloween, embora a regra não tenha sido quebrada por um bom tempo, acabou acontecendo também. E pior: mais de uma vez.
O novo trailer divulgado nesta sexta-feira, 08 de junho, só reforça que você deve ir ao cinema no fim deste ano disposto a esquecer tudo o que viu entre as partes 2 e 8 e curtir esta nova sequência ou deve torcer o nariz para a nova história e nem passar perto das sessões programadas para outubro. O ponto positivo: esqueça o “cavalo branco” da versão de Rob Zombie! Ao menos isso.

Cronologia:

Ao todo, 10 filmes fazem parte do “Pacote Halloween” e a produção de 2018 será a 11ª. Pela ordem de lançamento, o filmes são: Halloween (1978), Halloween II (1981), Halloween III (1982), Halloween IV – O Retorno de Michael Myers (1988), Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers (1989), Halloween 6 – A Última Vingança (1995), Halloween H20 – Vinte Anos Depois (1998), Halloween: Ressurreição (2002), Halloween: O Início (Refilmagem do original feita em 2007), Halloween 2 (Continuação da refilmagem. Feito em 2009) e, agora, Halloween, continuação do filme original.
Se a lista acima contempla os onze filmes por ordem de lançamento, em termos de coerência ou cronologia, as coisas se complicam um pouco. Oficialmente, até meados dos anos 1990, os filmes 1, 2, 4, 5 e 6 faziam parte da mesma cronologia. E a parte 3? Bem, oficialmente, Halloween III nunca foi cronologicamente incorporada à história de Michael Myers. Isso porque, até então, o assassino havia morrido em 1981. O que isso quer dizer?
Bem, isso quer dizer que até meados dos anos 1980, somente as partes 1 e 2 pertenciam à saga de Myers. Deu nó na cabeça, não é? Em nós também, mas explicaremos a seguir:
Halloween foi lançado em 1978 e contava a história do menino Michael Myers que assassina a irmã e o namorado da moça numa noite do dia das bruxas sem motivo aparente. Internado em um sanatório, a criança passa 15 anos confinada e foge às vésperas do Halloween de 1978 voltando para Handdonfield, Illinois, EUA. Lá, Michael arromba uma loja, furta uma máscara, cordas e uma faca e sai espalhando terror pela cidade. O alvo do assassino, porém, passa a ser jovens estudantes do colégio local. Moças que pretendem perder a virgindade com seus namorados durante uma das festas mais tradicionais da cultura estadunidense. Entre as moças está Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), jovem que está sem namorado e, por isso, vai ficar de babá durante as festividades.
Michael mata várias pessoas que atravessam o seu caminho, à medida que o doutor Samuel Loomis (Donald Pleasence) tenta encontrá-lo e levá-lo de volta ao hospício. No ato final, encurralada em uma casa, Laurie tem seu confronto com Michael. Loomis aparece e atira no assassino, jogando-o do segundo andar. O diálogo travado entre Loomis e Laurie é emblemático. Abalada, a moça pergunta: “Era o bicho papão?” e o médico responde: “Na verdade, era!”. Loomis corre à varanda e vê que Michael desapareceu.
Quando Halloween II começa, o médico está à procura do assassino, enquanto Laurie é levada ao hospital (toda a cena do confronto final do filme 1 é reprisada). No hospital, Laurie se vê, novamente, encurralada: Michael invade o lugar para matá-la e, após a metade do filme, descobrimos o motivo: eles são irmãos! Laurie nasceu pouco após a internação de Michael.
Após uma longa batalha, o hospital pega fogo e, aparentemente, Loomis e Michael morrem carbonizados, enquanto Laurie escapa com vida, encerrando a primeira série de filmes.
Com Halloween III, John Carpenter e Debra Hill tentaram dar um rumo totalmente novo à história e conseguiram. Só que foram longe demais e destoaram toda a mitologia criada até ali. Michael não é o foco do longa que mostra um médico investigando um estranho caso envolvendo uma fábrica de máscaras no meio do nada. O curioso é que o filme é extremamente inteligente e possui cenas ótimas, mas não dentro da cronologia de Myers. O clima de paranoia e privação de liberdade que ecoa na história vai aumentando à medida que os minutos passam. A trilha forte, aliada ao cenário assustador (uma cidade vigiada 24 horas por dia, com direito a toque de recolher e muitos corredores sombrios) fazem desta, uma obra particular.
Em 1988, dez anos depois do original, Michael volta à cena com Halloween IV. Ele e Loomis sobreviveram ao incêndio no hospital. O assassino voltou ao hospício, mas será transferido. Durante a transferência, foge e vai para… Handdonfield, Illinois, EUA (sério? Ele é meio obcecado pela cidade-natal, não é? Podia relaxar e vir conhecer Vespasiano, aqui em Minas Gerais, por exemplo). Lá, passa a perseguir a sobrinha. O quê? Ah, sim! Laurie casou, teve uma filha e morreu em um acidente de carro. A menina, porém, tem uma conexão com o tio e passa a vê-lo em sonhos. Michael mata todo mundo que vê pela frente, mas é encurralado e explodido! A cena final é emblemática, já que a jovem sobrinha do assassino esfaqueia a sua tutora vestindo uma roupa de palhaço, tal como Michael fizera com a irmã 25 anos antes…
Quando Halloween V começa, o final do filme quatro é desconsiderado. Na verdade, a cena passa a ser entendida como um sonho da menina. E Michael? Bem, um flashback mostra que ele escorregou no exato momento em que a granada caiu perto de si e desliza para um canal de água, desembocando num abrigo de um mendigo. Lá, Michael se recupera dos ferimentos, mata o mendigo e volta no Halloween seguinte para atormentar Jamie, sua sobrinha, mais uma vez. Ao fim de mais um confronto, o assassino é preso, mas a cadeia é invadida por uma estranha figura de preto.
Em Halloween VI, Jamie – já adulta – e Michael estão em uma seita (Oi?) de adoradores de sei-lá-o-quê (isso não é bem explicado, mas pode ter relação com o homem de preto do fim da parte 5). Jamie tem um bebê e foge dos lunáticos, mas morre no meio do caminho. O bebê é resgatado e Michael vai atrás do sobrinho de segundo grau (o cara é aficionado mesmo com esse lance familiar, né?). O legal neste filme é que Tommy, pirralh… quero dizer, garoto que Laurie toma conta no primeiro filme, volta e enfrenta Michael. Loomis também volta, mas o final de seu personagem é inconcluso. O ator Donald Pleasence faleceu pouco após os términos da filmagem e a última cena do filme mostra apenas a máscara de Michael com o grito do médico ao fundo.
Assim, podemos reconsiderar a “primeira série de Michael” com os filmes 1, 2, 4, 5 e 6.
Quando Halloween H20 foi lançado, porém, a mitologia foi mexida mais uma vez… e não precisava! Explica-se: o filme desconsidera todos os eventos ocorridos entre as partes 4 e 6, sendo uma continuação direta da parte 2. Desse modo, entendemos que Laurie nunca morreu em um acidente de carro, mas que forjou a própria morte. Ela mudou de nome e tem um filho adolescente. Michael descobre seu paradeiro e vai atrás dela… de novo!
Teria sido mais fácil dizer que ela forjara a própria morte e que, por algum motivo, não pudera levar à filha na empreitada do que, simplesmente, “eliminar” os acontecimentos anteriores.
Ao fim, Laurie decapita Michael pondo fim (ahahahahahá – alguém caiu nessa?) ao legado de Michael.
Em Halloween: Ressurreição, descobrimos que Laurie não decapitou Michael (é mesmo? Puxa!), já que ele havia trocado de lugar com um paramédico. Michael vai atrás da irmã no hospício e a mata (finalmente!). O estranho neste filme é que em nenhum momento é mencionado o filho adolescente de Laurie: o que aconteceu ao rapaz após o filme sete?
Michael volta para casa em… Handdonfield, Illinois, EUA, onde uma equipe de TV está gravando um reality show e promove um banho de sangue básico. O bacana de Ressurreição é que são praticamente dois filmes dentro de um: a primeira parte, com cerca de vinte minutos, mostra o embate de Michael e Laurie no hospício. A segunda parte mostra o assassino em casa perseguindo o elenco do reality. A cena final se passa em um necrotério, com o saco preto sendo aberto e revelando a máscara queimada de Michael. Ele abre os olhos, a legista dá um grito e entram os créditos.
Não há mais continuações e podemos entender que isso encerrou a “segunda série de Michael”, da qual pertencem as partes 1, 2, 7 e 8.
Aí o Rob Zombie, que compôs a excelente música Living Dead Girl, tema dos filmes A Noiva de Chucky e Psicose (1998), resolveu refilmar a história toda!
Halloween: O Início (2007), reinicia a saga de Michael Myers. O filme é bom ao explorar um pouco mais a infância de Michael, mas é estragado por algumas explicações novas sobre o comportamento do assassino: a mãe é prostituta, o padrasto é um bêbado drogado que bate na esposa e nos enteados, a irmã é extremamente promíscua (ao contrário da jovem do filme original que apenas queria se divertir com o namorado) e, pra piorar (mais?), Michael sofre bulliyng na escola. Laurie já é um bebê gorducho e fofo no começo do filme (ao contrário da versão original, no qual ela nasce após os acontecimentos mostrados no prólogo).
Após os assassinatos originais e seu longo período trancafiado no hospício, Michael foge e passa a perseguir a moça. O filme traz bons momentos, incluindo a trilha sonora que contém Love Hurts, como tema da mãe de Michael em uma cena de strip-tease.
O longa, porém, sofre de um sério e raro caso de ser mais danificado ainda pela sua sequência do que pelos elementos dele mesmo! Halloween 2, lançado em 2009, insere elementos sem importância como o tal “cavalo branco” que tenta dar novo sentido à mitologia da série, mas que só consegue piorar as coisas. A sequência de perseguição do hospital, de grande importância no filme 2 da série original, é relegada a poucos segundos na nova versão, que mistura realidade e sonho, antes de uma desnecessária passagem de um ano.
E aí chega Halloween (2018) prometendo continuar o filme de 1978. Ou seja: esqueça as partes 2, 3 (já esquecida mesmo), 4, 5, 6, 7, 8 e as refilmagens. Mais uma vez, seria mais fácil incluir os acontecimentos dos filmes anteriores e explicar que Laurie forjou a própria morte (filme 4), não pôde levar a filha, constituiu nova família (filme 7) e sobreviveu ao ataque de Michael no filme 8. Afinal, deve ser questão de genética: se ele pode se esquivar tanto, ela também deve poder. O fato é que, de acordo com os produtores, Michael e Laurie se encontrarão mais uma vez num confronto do qual, provavelmente, muitos sairão mortos. O filme pode dar entrada à terceira série de Michael Myers a partir do filme de 1978 ou quarta série se incluirmos na contagem as refilmagens.
O nó na cabeça continua, não é? Pior que tentar entender a cronologia de Michael Myers é tentar entender a dos X-Men, O Massacre da Serra Elétrica ou A Era do Gelo (humanos no primeiro filme, aquecimento global no segundo, dinossauros no terceiro, pangeia no quarto e big-bang no quinto!). Então, deixe de lado a coerência e embarque nos próximos esfaqueamentos de Michael. Ou, simplesmente, aceite que há três (quatro) versões da mesma história a partir do filme original. Não dizem por aí que cada história tem, ao menos, dois pontos de vista? A de Michael Myers tem alguns a mais. Escolha a sua e divirta-se!

Para ilustrar essa teoria de “múltiplas séries”, criamos esse divertido infográfico com as informações deste texto. Logo abaixo, você confere o trailer de Halloween 2018

Criado pelo mestre do terror John Carpenter, o personagem Michael Myers volta a ser alvo de investigações em “Halloween” (Halloween). No primeiro trailer, lançado mundialmente hoje, Myers é colocado a frente de sua icônica máscara, o que faz com que episódios que já estavam adormecidos voltem à tona.

Assista aqui ao trailer do filme

Lançado em 1978, o clássico volta aos cinemas com sequência dirigida por David Gordon Green e produção da Blumhouse, de “Corra!” e “Fragmentado”. Agora, Laurie Strode, personagem de Jamie Lee Curtis, terá seu confronto final com Michael Myers, novamente interpretado por Nick Castle: a figura mascarada que a tem assombrado desde que ela escapou de uma matança na noite de Halloween, quatro décadas atrás.