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Crítica: As Boas Maneiras

Por Tatiane Barroso
Estranhamente perturbador é o filme “As Boas Maneiras”. Os diretores Juliana Rojas e Marcos Dutra fazem uma leitura singular e moderna do mito do lobisomem. Combinando processos mecânicos e imagens digitais, os efeitos especiais conseguem explicar as transformações do lobisomem sem enfraquecer a narrativa.Os diretores constroem uma fábula contemporânea que questiona temas como a relação do indivíduo com o mundo ao seu redor, bem como as relações de classe e questões sobre a maternidade.

O filme é dividido em duas partes: A primeira é ambientada em uma São Paulo futurista onde os diretores traçam um retrato perturbador de duas mulheres: a jovem branca e burguesa Ana (Marjorie Estiano) e sua babá Clara (Isabel Zuaa), jovem negra que vive do outro lado da cidade.  Clara e Ana são misteriosas. As regras sociais entre elas parecem estar bem estabelecidas, mas um relacionamento afetivo se desenvolve entre as duas mulheres. Doce, mas determinada, Isabel Zuaa traz para Clara uma força que parece inabalável, enquanto Marjorie Estiano alimenta Ana com uma fragilidade que contrasta com seu status privilegiado.

A segunda parte do filme é uma visão turbulenta do bairro periférico em que Clara e Joel vivem. A periferia se torna um terreno fértil para o fantástico.  Nessa segunda parte o destaque vai para Joel (Miguel Lobo) filho de Ana, mas criado e amado por Clara. Fisicamente singular, mudo, mas animado, o jovem Miguel Lobo encarna Joel com uma animalidade perturbadora. Nessa segunda parte Clara materializa o amor que os une e cristaliza todos os temas da história que o filme desenvolve. Como uma mãe substituta que se torna uma mãe verdadeira, Clara constrói um mundo marginal para Joel e para ela mesma com a finalidade de protegê-los.

As Boas Maneiras é uma obra mutante de grande beleza plástica, que de repente vai do drama psicológico ao gore.

 

Clique aqui para assistir ao trailer do filme

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Crédito das imagens:

Rui Pocas