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Biblioteca Pública Estadual recebe exposição “130 anos de Lei Áurea: Memória e Resiliência”

Mostra, que entra em cartaz no dia 11 de junho, trará pinturas e esculturas ligadas ao tema da escravidão e as formas de resistência artística e cultural através do Congado
Por Redação Feira Cultural

Nos 130 anos da assinatura da Lei Áurea, completados no último dia 13 de maio, a Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães, da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais recebe a exposição 130 anos de Lei Áurea: Memória e Resiliência. A mostra busca dar visibilidade e reconhecimento à desigualdade e ao preconceito racial que ainda existe no Brasil. Com pinturas e esculturas dos artistas mineiros Márcio Cintra e Leandro Júnior, a exposição traz obras ligadas ao tema da escravidão e às formas de resistência artística, religiosa e cultural representadas pelo Congado. A mostra será inaugurada nesta segunda-feira (11), às 19h, e segue até 7 de julho, com entrada gratuita.

Escrava no Tronco, de Leandro Junior © Vilmar Oliveira

A assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, em 13 de maio de 1888, decretou a abolição da escravatura, mas não garantiu nenhuma medida de compensação ou apoio aos escravos recém-libertados. Um dos principais articuladores do abolicionismo, André Rebouças, defendia que juntamente à abolição deveria vir a reforma agrária, de modo que fossem destinadas terras aos ex-escravos. Joaquim Nabuco, de família escravocrata, compartilhava das ideias de Rebouças: ambos temiam uma nova forma de injustiça social, que poderia se derivar da liberação dos escravos sem um planejamento pós-abolição. O que, para muitos, é até hoje uma das causas da profunda desigualdade racial brasileira, com a segregação no mercado de trabalho e o racismo ainda muito presentes.

O movimento abolicionista na década de 1880 ganhou bastante força entre as formas de resistência e foi um dos fatores responsáveis pela abolição no Brasil, além de grandes debates parlamentares, revoltas e fugas de escravos e manifestações artísticas e culturais como o Congado. Neste festejo popular, folclórico e religioso de origem afro-brasileira, seus membros rememoram e recriam as origens africanas e o passado escravista, homenageando seus reis, rainhas e santos de devoção. Mantendo assim as tradições, a religiosidade e a cultura negra que até os dias de hoje enfrentam o preconceito e os estigmas da sociedade.

Pé Fujão, obra de Leandro Junior © Vilmar Oliveira

Assim, na exposição, estarão reunidos dois artistas mineiros que retratam o período escravagista e seus desdobramentos: Leandro Junior é um jovem artista plástico do Vale do Jequitinhonha que tem como fonte de inspiração tudo aquilo que vivencia através da forte cultura que o Vale oferece. Escultor e pintor, estudou artes na Faculdade São Luís de Jaboticabal, no interior de São Paulo, e também participa de projetos socioassistenciais. Com notável talento, utiliza o barro como principal matéria-prima e suas obras com características únicas retratam expressões reais inspiradas na memória afro-brasileira e cultural da sua região, provocando sensações como a de estar em contato direto com a história de um povo e as memórias do artista. “Em cada olhar, história e vivência busco inspiração para minha arte. Retrato no barro vidas e memórias de um povo que tem preso na garganta o grito da liberdade dos cabrestos políticos em meados do século XXI”, explica Leandro.

Natural de Furnas, Márcio Cintra é um pintor autodidata que começou a pintar por volta dos trinta anos, buscando criar um trabalho autoral com influência direta de grandes mestres como Velázquez, Chardin e, principalmente, dos holandeses dos séculos XVII e XVIII. Sempre inquieto e criativo, evoluiu para um estilo mais moderno e arrojado que desenvolve atualmente, trabalhando principalmente com a figura humana que, paradoxalmente, torna-se quase secundária em meio a uma profusão de pinceladas, espatuladas, texturas e cores que se misturam na tela sem restrições ou comedimentos. Márcio irá expor seu trabalho atual na mostra: uma série de pinturas sobre o congado que batizou de “Ritmo, Cores e Fé, Retratos do Congado Mineiro”. “Eu espero que a exposição contribua para a reflexão sobre a participação do negro na sociedade e a importância de suas manifestações para o enriquecimento da cultura mineira”, pontua Márcio.

Irmãos Gerônimo, de Márcio Cintra © Divulgação /Marcio Cintra

Serviço:
Exposição 130 anos de Lei Áurea: Memória e Resiliência
Período expositivo:
11/6 a 7/7
Local: Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães – Biblioteca Pública Estadual
Endereço: Praça da Liberdade 21 – Funcionários
Entrada gratuita
Informações:
(31) 3269-1201 | bibliotecapublica.mg.gov.br