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Crítica: João de Deus – O Silêncio é uma Prece

Por Vitor Damasceno

Que o brasileiro é um povo extremamente próximo a suas respectivas religiões todo mundo percebe. Mas é curioso que de maneira não tão confessa, as pessoas praticam diversas religiões ao mesmo tempo. O espiritismo (kardecismo) é a terceira maior religião do Brasil, segundo os dados do censo de 2010 do IBGE. Fora dos dados do instituto, nota-se peculiaridade: há número incontável de pessoas de outras religiões que não só praticam, mas seguem o espiritismo.

João de Deus é médium, curador e realiza importante trabalho na cidade de Abadiânia no interior de Goiás. Promove tratamentos espirituais e realiza cirurgias espirituais, além de vários outros trabalhos sociais que faz. Foi amigo próximo de Chico Xavier, que dispensa apresentações. É reconhecido internacionalmente e já recebeu celebridades das mais diversas. Um filme sobre ele é algo por si só pontual e a escolha por um documentário é acertadíssima.

Esse documentário não nasceu do acaso. O diretor se dedicou durante anos ao projeto e foi capaz de registrar uma quantidade significativa de material novo. A roteirista, Edna Gomes, é frequente no cotidiano do médium há sete anos. E em se tratando de documentário, pode-se dizer que é dispensável a preocupação com uma fotografia bela. Ainda bem, pois o diretor parece não ter se detido a isso e nos apresentou uma variedade rica de cenas. Passou pela vida pessoal, pelos amigos do presente e do passado, mas é nas ações como médium que causa impacto a quem assiste. Ele não é médico, mas realiza cirurgias com intervenção física aparentemente mínimas, mas com resultados físicos constatados e alcances espirituais profundos.

Realmente causa choque ver as cirurgias. Por esse fato você pode se perguntar na gravidade dessas ações e na necessidade de investigação e julgamento. O filme não se dedica a isso e cita ser muito difícil fazer o que se faz ali por mais de 50 anos e ser mentira.

Os depoimentos de sucesso são importantes para que a história que está sendo contada siga. O fato é que a dor extrema quebra todas as barreiras que os homens constroem entre si. Só quem perdeu tão cedo um filho amado como a atriz Cissa Guimarães (que dá voz a narração), ou quem passou por uma “inexplicável” cura de uma doença incurável é que interrompe questionamentos ou validações para simplesmente agradecer e seguir em frente levando a vida como uma segunda oportunidade. Essa é a transformação pessoal que causa as pessoas que procuram o médium e realmente é muito difícil acreditar que tudo é mentira. Existe muita coisa inexplicável na vida e a simplicidade e o silêncio que a todo momento é evidenciado nessa história são valores que podem ser adotados independentemente da religião que você pratica.

***

Nota do crítico: 9 de 10

***

 

Ficha técnica:

 

João de Deus (Brasil, 2018)

Direção: Candé Salles

Roteiro: Edna Gomes

Produção, Direção de Fotografia e Trilha Sonora: Candé Salles

Distribuidor brasileiro: Paris Filmes