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Crítica: Paraíso Perdido

Por Tatiane Barroso
Esqueça tudo lá fora quando assistir “Paraíso Perdido” de Monique Gardenberg. Depois de 11 anos de hiato cinematográfico, Monique Gardenberg nos encapsula no micro universo da casa noturna Paraíso Perdido (a qual dá nome ao filme) para tratar de temas como amor, homossexualismo, preconceito e violência em uma trama que gira em torno de conflitos familiares permeados por traição, paixões, vingança e muita música do gênero brega.

Monique, em seu longa, mostra muita habilidade e competência ao trabalhar com um elenco excepcional. As atuações são naturalistas e fogem dos estereótipos. Cada um dos personagens tem o seu drama, mas nenhuma história se sobrepõe à outra e, juntas, acabando se fundindo e ajudando a construir um cenário maior dentro do filme. Sobre as atuações, podemos dizer que é um bom ano para Marjorie Estiano, pois se trata do seu terceiro desempenho espetacular fazendo dela o Nome do Ano no cinema brasileiro.

Outro destaque vai para a figura enigmática e atraente do ator Jaloo, sua presença ressalta tanto o lado musical do filme quanto as fragilidades humanas que ele emprega a seu Ímã, talvez um dos nomes mais acertados do nosso cinema recente. Seu poder de atração ecoa em todo o elenco e no próprio filme em si, ao mesmo tempo que não é nada egoísta e acaba dividindo holofotes com cada personagem  que emana do filme.

 Mesmo o filme tendo um ar novelesco, não se deixe enganar por ele, a diretora desenvolve uma trama bem elaborada e complexa pontuada por temas (amor, homossexualismo, preconceito, violência) extremamente pertinentes em nossa sociedade atual. A maternidade e as escolhas feitas durante esse período da vida também são abordadas no filme.

Paraíso Perdido se trata de uma casa noturna do Baixo Augusta. O dono é Erasmo Carlos (nosso eterno Tremendão), num papel ímpar em sua carreira. Logo na abertura do filme, José (Erasmo Carlos) nos convida a deixar tudo – a dor, a insatisfação, a realidade – lá fora e se entregar à magia daquele espaço.

A casa noturna é comandada pelo patriarca José e nela circulam e realizam shows sua excêntrica família composta pelos seus filhos Ângelo (Júlio Andrade), Eva (Hermila Guedes) e Teylor (Seu Jorge) seu filho adotivo; a neta Celeste, (Julia Konrad) filha de Angelo e Imã (Jaloo) filho de Eva e a atração principal da casa. Juntam se a eles o policial Odair (Lee Taylor) e sua mãe Nádia (Malu Galli), Joca (Felipe Abib) namorado de Celeste e Milene (Majorei Estiano).

A casa noturna é o principal cenário do filme e também seu esqueleto. Passamos boa parte do filme inserido nesse lugar mágico, mas essa magia é quebrada quando Gardenberg decide nos apresentar a vida diurna de seus personagens. Essa quebra de ritmo no filme pode incomodar alguns espectadores, mas não prejudica o seu andamento e entendimento.  Por  1hora e 50 minutos esqueça tudo lá fora e deixe se levar por essa obra.