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O cinema que também não terminou

Cine Humberto Mauro exibe a mostra 68 e Depois, apresentando insurgências políticas do passado na França com a atual crise Brasileira; No intenso agora, de João Moreira Salles, será exibido na abertura da mostra
Por Redação Feira Cultural

Como forma de relembrar os históricos acontecimentos de Maio de 1968, na França, o Cine Humberto Mauro dá início, a partir de quarta-feira (30) à mostra e seminário de cinema 68 e Depois. Por meio de obras documentais e ficcionais, a mostra cria um elo entre esse período e suas reverberações no contexto político e cultural no Brasil após golpe militar de 1964 e a atual conjuntura política brasileira a partir de junho de 2013, mapeando gestos de resistência de militantes, ativistas, cineastas e artistas. Ao todo, a mostra contará com 20 filmes, dentre eles curtas e longas-metragens. Todas as sessões serão comentadas por realizadores e pesquisadores da área.

A mostra surge a partir de uma pesquisa desenvolvida pelos curadores convidados pela Gerência de Cinema da FCS, Natacha e Pedro Rena, mãe e filho. Natacha é coordenadora do grupo de pesquisa Indisciplinar UFMG e do projeto de extensão Cartografia das Lutas Territoriais, que analisa a articulação de movimentos sociais e políticos, além de ser professora doutora da Escola de Arquitetura da UFMG. Pedro faz parte da pesquisa coordenada por sua mãe e é graduando em Letras, além de desenvolver a Iniciação Científica Narrativas de Violência: O Brasil de Perto e de Dentro, que analisa filmes e vídeos realizados por pessoas atuantes nos movimentos sociais.

Para Bruno Hilário, coordenador do Cine Humberto Mauro, realizar a mostra 68 e Depois após a exibição da mostra Direitos Humanos: Um Mundo Por Vir é uma maneira de reascender e atualizar a discussão sobre questões históricas e contemporâneas. “Com a realização de mais uma mostra tão importante, colocamos o cinema como ferramenta facilitadora para debates a respeito do que o país, e também o mundo, viveu naquele ano. São temas que estão interligados e, mesmo assim, podem ser entendidos por meio de narrativas muito diferentes. Essa mostra nos ajuda a refletir tanto sobre nossa situação política atual quanto pela violação de princípios básicos da dignidade humana”.

Escolas em Luta, (BRA, 2017), de Eduardo Consonni e Tiago
Tambelli © Divulgação /CHM

Questões em comum – Segundo Pedro Rena, a seleção dos filmes produz ecos de diferentes momentos políticos nas obras, como se formassem um diálogo sobre questões políticas com pontos em comum e também entre suas devidas diferenças. “O filme de abertura é No Intenso Agora (2017), do João Moreira Salles, que reúne filmagens de acontecimentos de insurgência política na década de 60. O diretor conta em entrevistas que ao investigar todo esse material foi possível enxergar o Brasil atual de maneira diferente. Assim, o objetivo dessa seleção é pensarmos como esses filmes que tratam de outros momentos políticos nos faz refletir sobre a situação de hoje em outra perspectiva. A proposta da mostra é de analisar e avaliar o legado das transformações políticas e sociais ocorridas em 1968 no Brasil e no mundo”, comenta.

Para o curador, é possível ver ecos, mas também muitos contrastes, por exemplo, entre o movimento estudantil francês de 68, retratado em filmes como Morrer aos 30 Anos (1982) e as ocupações das escolas em 2016, com o longa-metragem Escolas em Luta (2017), que foi premiado na 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes pelo júri popular, assim como entre o movimento operário francês, retratado nos filmes sobre maio de 68, e o movimento operário no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 retratados nos filmes O Bravo Guerreiro (1969) e ABC da Greve (1990) .

Pesquisadores de diferentes segmentos vão comentar as sessões da mostra pela ótica/lógica da comunicação social, do urbanismo, das letras, da história, da filosofia, do teatro, das artes visuais, da música e da psicanálise, além de contar com a presença de realizadores, em dias distintos, como João Moreira Salles (documentarista, roteirista e produtor do cinema), Affonso Uchoa (Diretor e Montador, venceu o Festival de Brasília 2017 com o filme Arábia), Marília Rocha (Diretora e Roteirista, venceu o Festival de Brasília de 2016 nas categorias Melhor Filme, Direção, Ator Coadjuvante e Atriz com o filme A cidade onde envelheço), Julia Mariano (diretora dos curtas Projeto 68 e da série Desde Junho) e Aiano Mineiro (diretor do filme Na missão, com Kadu).

No Intenso Agora (BRA, 2017), de João Moreira Salles © Divulgação /CHM

De acordo com Pedro, um dos objetivos da mostra é também promover um encontro entre estudiosos, realizadores e especialistas. “Vamos criar um diálogo sobre como essas questões teóricas são trazidas para a prática e também observar como as questões de quem está fazendo as obras são incorporadas pela teoria”, completa Pedro.

Destaques – Na curadoria da mostra, destaca-se o longa No Intenso Agora (2017), que chama atenção pelos cruzamentos de temporalidade construídos pelo diretor ao justapor imagens de diversos acontecimentos políticos da década de 60, incluindo filmagens feitas por sua mãe em 1966, na China maoísta. Diante das greves em diversos setores da sociedade nos últimos meses, o longa ABC da Greve (1990) destaca-se ao abordar a trajetória de 150 mil metalúrgicos que, sem obter êxito em sua luta por melhores salários e condições de vida, decidem enfrentar os militares e entrar em greve.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA MOSTRA

Outro destaque é o longa-metragem Terra em Transe (1967), que completa 51 anos em 2018 e reúne todas as questões políticas dos anos 60, ao narrar a história de um senador que odeia seu povo e deseja tornar-se imperador de Eldorado, mas precisa enfrentar outras pessoas que querem esse poder e um jornalista e poeta que, ao descobrir suas reais intenções, se volta contra ele. A obra prima de Glauber Rocha será exibida junto ao novo curta do cineasta Éder Santos, realizado junto com o artista Bruce Yonemoto, chamado Barravento Novo (2017), que atualiza questões presentes na obra de Glauber de 1962 para o nosso tempo, realizando, mais uma vez, o gesto de cruzamento de temporalidades entre os anos 1960 e o agora.

Já Operações de Garantia da Ordem e da Lei (2017) é composto por imagens de arquivo, criando comparações entre as imagens capturadas pelos ativistas e as da cobertura feita pela mídia tradicional, levantando questões a respeito das narrativas criadas tanto por quem está dentro dos movimentos quanto por quem está de fora. O filme chama atenção para a importância de ativistas e cineastas criarem suas próprias imagens e narrativas do presente à revelia das narrativas da mídia e do poder hegemônico, e demonstra um gesto estético e político que interessa diretamente à proposta da mostra.

Terra em Transe (BRA, 1967), de Glauber Rocha © Divulgação /CHM

Serviço:
Mostra 68 e Depois
Período:
30/5 a 3/7
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1537 – Centro
Entrada gratuita, com retirada de ingressos 30 minutos antes da sessão
Informações: (31) 3236-7400 | fcs.mg.gov.br