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Revista literária “Olympio” será lançada neste sábado (19)

Editada em Minas e distribuída no Brasil e em Portugal, revista chega ao mercado apostando na produção ficcional, poética e ensaística contemporânea
Por Redação Feira Cultural

Não há o que não haja. Sob a inspiração deste mote provocador, quatro mineiros se uniram, nos últimos meses, para imaginar, planejar e editar a revista literária Olympio, retomando a tradição do estado na produção de revistas do gênero. Com 96 páginas de farto conteúdo inédito, design de encher os olhos e disposição para valorizar a palavra como protagonista de seu tempo, como diz o primeiro editorial, a publicação será lançada no sábado (19), às 11h, na Livraria da Rua, na Savassi. O exemplar será vendido a R$38,50.

Atenta à polifonia de vozes que ecoam no país e no mundo, a revista traz um cardápio alentado em seu primeiro número: textos inéditos de J.M.Coetzee e Georges Perec; entrevista com Silviano Santiago e os trechos iniciais das memórias que este autor vem escrevendo para publicar em 2019, pela Companhia das Letras; perfil da fotógrafa Maureen Bisilliat e ensaios de Eliane Robert Moraes, Maria Angélica Melendi e Iris Montero; poemas e ficções de autores diversos; ensaio fotográfico de Eustáquio Neves e ensaios visuais de Leonora Weissmann e Julia Panadés.

E mais: Olympio revisita o percurso do contista Francisco de Morais Mendes e garimpa o acervo do escritor e ensaísta Eduardo Frieiro (1889-1982), sob a guarda da Academia Mineira de Letras. Colaboram com a revista nomes como José Castello, Joselia Aguiar, Paulo Henriques Britto, Noemi Jaffe e Joca Reiners Terron.

Olympio é uma revista literária independente, tendo à frente a escritora e ensaísta Maria Esther Maciel – idealizadora da iniciativa -, o jornalista José Eduardo Gonçalves, o arquiteto Maurício Meirelles e o designer Júlio Abreu, todos com inserções literárias e longa trajetória na cena cultural da cidade.

A revista enfatiza a produção ficcional, poética e ensaística contemporânea, incluindo ainda perfis e entrevistas, tradução de textos literários, relatos de viagem, ensaios visuais e fotográficos. “Temos como eixo editorial a ideia da transversalidade, reconhecendo as conexões da literatura com outros campos artísticos”, diz Maria Esther.

“A revista tem como marca a pluralidade dos autores, mesclando linguagens, nacionalidades e gêneros narrativos, o que resulta numa publicação de grande potência literária”, afirma José Eduardo Gonçalves, editor executivo.

Essa multiplicidade de olhares, característica desejada pelos editores da revista, não será assegurada apenas pela participação de autores de várias partes do Brasil e do mundo, como se vê na primeira edição.

A busca de nomes e temas, a troca de ideias e o compartilhamento de informações contam com a contribuição de um Conselho Editorial que tem representantes de várias regiões e sotaques brasileiros, bem como de intelectuais e escritores de Angola, Argentina, Estados Unidos, México e Portugal.

Há um bom tempo Minas Gerais andava ausente deste mercado. Para o escritor Silviano Santiago, “esse trabalho editorial, quase inédito em termos das últimas décadas, garante o retorno de Minas ao mapa literário contemporâneo”. A tradição literária é forte especialmente na capital, Belo Horizonte.

A cidade mal havia nascido e já em 1901 e 1902 registra a existência, ainda que breve, das revistas Minas Artística e Horus, respectivamente. As décadas seguintes foram pródigas em publicações. Nos anos 20, Drummond dirigiu A Revista, que durou três números, e o jornal Estado de Minas editou o suplemento Leite Criôlo.

Em 1946 surgiu a revista Edifício, que reuniu a geração de Francisco Iglesias, Sábato Magaldi e Autran Dourado. Um ano depois Hélio Pellegrino criou a revista Nenhum, que não saiu do primeiro número. Nos anos 50 surgiram as revistas Vocação, Tendência e Complemento. Os anos 60 viram surgir a revista Estória, que durou seis edições.

A década de 70 registrou um forte movimento de resistência, com o aparecimento (e quase sempre o precoce fechamento) de revistas como a Bel’Contos, Silêncio, Circus e Inéditos.

De lá para cá a cena editorial literária minguou (a revista Palavra, editada entre 1999 e 2000, era dedicada à cultura em geral). A se destacar apenas a respeitável continuidade, até os dias de hoje, do Suplemento Literário de Minas Gerais, fundado por Murilo Rubião em 1966.

Olympio será vendida nas principais livrarias do país e também em Portugal, tendo já lançamento previsto em Lisboa, em 7 de junho, na centenária Livraria Ferin, no Chiado.

Serviço:
Lançamento da revista Olympio
Data:
19/5 (sábado)
Horário: 11h
Local: Livraria da Rua
Endereço: Rua Antônio de Albuquerque, 913 – Savassi
Valor: R$38,50
Entrada gratuita