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Para cantar a liberdade e a resistência

Musical cênico “Cancioneiro Queer” reúne canções do Teatro Musical Brasileiro, da Broadway e Off Broadway encenadas em formato de cabaré
Por Vítor Cruz

Em cartaz por diferentes espaços da cidade desde 2016, quando fez sua estreia na capital, o espetáculo musical Cancioneiro Queer, além de um canto à liberdade dos corpos, é um campo de resistência artística. Realizado de forma independente, a montagem volta a ser encenada nesta sexta-feira (18), às 20h30, no Grande Hotel Ronaldo Fraga, e leva, mais uma vez, um repertório que vai do clássico ao popular, com destaque para canções de temática homoerótica e duas composições inéditas no programa.

“O trabalho só pode continuar por afinco dos artistas, pelo amor que todos nós sentimos à arte, literalmente, e por conta de instituições que nos deram espaço ao longo desses dois anos”, comenta Marcelo Kuna, coautor do espetáculo, ao lado de Leonardo Mendonza, Raissa Brant e Sérgio Anders. É a persistência do grupo que faz com que a montagem sempre volte a ser apresentada, mesmo sem qualquer patrocínio ou lei de incentivo. Com mais essa produção, Cancioneiro Queer chega à décima apresentação na cidade.

Marcelo Kuna é um dos autores da montagem, que tem apresentação única na sexta-feira (18) © Henrique Chendes

Para a nova temporada, que tem sessão única, duas novidades no repertório: as canções “Eu entendi”, versão de Kuna para I never knew, do musical “Far From Heaven”, e que retrata o drama de  casal norte-americano na década de 1950; e “Cassandra”, composição de Jason Robert Brown, a respeito de uma jovem que tenta explicar ao namorado questões feministas. As músicas foram escolhidas para se adaptar à composição cênica do Grande Hotel. Mesmo com pequenas alterações, o formato de cabaré permanece.

“O espaço não é um teatro. A caixa cênica é diferente dos palcos que estamos acostumados a trabalhar. Por isso, decidimos fazer essa pequena adaptação no repertório, para não perder a potência das canções no repertório”, explica Marcelo Kuna, que garante que as músicas mantêm a temática queer em sua essência.

Ao todo, o espetáculo reúne 20 canções, sendo 18 em versão integral e dois medleys. São obras de diferentes estilos e de compositores de diversas nacionalidades, apresentadas com voz, piano, contrabaixo, violão e bateria. Composições do russo Mischa Spoliansky (1898-1985), autor dos primeiros hinos LGBT dos quais se tem conhecimento, se misturam às canções de Kurt Weill (1900-1950), um dos primeiros compositores contemporâneos a abordar temática homoerótica.

Há, também, árias de ópera,  canções Broadway e Off Broadway e um repertório brasileiro, que além de clássicos como “Bárbara” e “Geni e o zepelim”, de Chico Buarque, apresenta a canção “Imagina”, composta para a peça musical A Social (que esteve em cartaz no espaço dos Parlapatões, de São Paulo, em 2015), e Modinhas Imperiais (1831) do compositor carioca Lino José Nunes (1789-1847).

A vontade de abordar o universo queer em uma montagem começaram em 2016, quando Marcelo Kuna estava em Nova York e assistiu ao musical Fun Home, o primeiro a ser apresentado na Broadway que tratava abertamente da questão homoafetiva ao colocar uma personagem lésbica como protagonista da história. A partir daí, o artista passou a imaginar como seria um espetáculo baseado somente em canções com essa temática.

Sérgio Anders em cena de Cancioneiro Queer © Henrique Chendes

Foi assim que surgiu Cancioneiro Queer, um reflexo dos próprios anseios de Kuna em criar um espetáculo que colocasse a questão de gênero no cerne da dramaturgia, além de circular por enredos amorosos e de descoberta homossexual, lésbica e transgênero.

“Eu sou um artista queer; eu sou um artista do corpo. Todo o meu trabalho segue nessa linha da arte queer. Sempre sentia muita falta de um repertório que tratasse dessas questões. Então, meu trabalho tem sido esse, de pincelar esse tema em tudo o que eu faço”, explica Kuna.

Apesar da dificuldade de fazer com que a montagem circule por outras cidades do país – embora a peça já tenha sido apresentada no festival Inverno Cultural, da Universidade Federal de São João Del Rey (2017), o grupo persiste em montar o espetáculo na capital.

Para Marcelo, a cena queer de BH é a mais interessante do Brasil. “Aqui a gente consegue fazer a sopa de letrinhas LGBT virar um caldo. Existe uma diversidade de linguagens que eu não vejo em outras cidades como São Paulo e Rio”, finaliza.

 

ASSISTA AO TEASE DO ESPETÁCULO

 

 

Serviço:
Cancioneiro Queer
Data:
18/5 (sexta-feira)
Horário: 20h30 (abertura da casa: 19h)
Local: Grande Hotel Ronaldo Fraga
Endereço: Rua Ceará, 1205 – Funcionários
Ingressos: R$50,00 (valor único)
Informações: (31) 2555-4056