Widget Image
Widget Image
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetuer adipiscing elit, sed diam nonummy nibh euismod tincidunt ut laoreet dolore magna aliquam erat volutpat. Ut wisi enim

Assine a nossa newsletter

[contact-form-7 404 "Not Found"]

[ENTREVISTA] – Cássio Scapin explora o universo mágico do Castelo Rá-Tim-Bum em “monólogo existencialista”

Por Antônio Pedro de Souza

Ele tinha 300 anos em 1994 quando, ao não ser aceito em nenhuma escola devido à idade, atraiu três crianças para seu castelo no qual pôde, enfim, viver um pouco das situações típicas da idade escolar: descobrir números, letras, noções de higiene, música, história e muitos outros assuntos.

Se o tempo passou para todo mundo, para Nino parece não ter sido assim. Apesar de já estar com 324 anos – muito para um humano, mas pouco para um bruxo – o personagem imortalizado por Cássio Escapin continua jovem, atual e ciente dos problemas que nos rodeiam.

É aí que se concentra o desafio do espetáculo Admirável Nino Novo: dialogar com as novas gerações, sem perder o contato com aqueles que viram as origens do menino feiticeiro lá em 9 de maio de 1994, quando o programa de Cao Hamburguer estreou na TV Cultura.

Conversamos por telefone com Cássio, porta-voz oficial de Nino, que nos contou um pouco mais sobre esse trabalho. Confira abaixo:

APS – Como é revisitar um personagem tão emblemático e querido do público após tanto tempo?

Cássio em cena no primeiro episódio de Castelo Rá-Tim-Bum
Reprodução: Youtube TV Cultura

Cássio – Foi muito bacana. Principalmente por saber que esse personagem não foi desligado da memória e do interesse das pessoas. O Castelo Rá-Tim-Bum se tornou um clássico da teledramaturgia brasileira e do imaginário de gerações que o acompanharam. Então, as pessoas que já conhecem o programa voltam à infância com o espetáculo e as pessoas que não conhecem têm se surpreendido. O espetáculo tem uma dinâmica diferente: a gente brinca que é um monólogo existencialista para crianças e adultos, pois tem questões sobre solidão, passagem do tempo, crescer, envelhecer, sobre o que é ser diferente no mundo… Então, tem várias questões que o texto escrito pelo Maurício Guilherme abrange.

APS – Quais foram os principais desafios para dar vida ao Nino novamente?

Cássio – Os principais desafios foram em relação à criação artística. Por exemplo: eu queria muito fazer esse espetáculo voltado para as pessoas que eram crianças na época do Castelo. Então, queria trabalhar com o Nino mais velho um pouco, queria que ele tivesse crescido. O nosso produtor, Rodrigo Velloni, falou: “acho que não é bom mexer com o personagem assim. É como se o Mickey ficasse velho.” Aí, conversando com o Maurício Guilherme, nós começamos a falar sobre os assuntos que iríamos abordar se fosse um espetáculo pra adultos, principalmente essa questão da passagem do tempo, que diz respeito em sobre a minha relação com o personagem e a relação do público com o personagem. Quando eu comecei a fazer o Castelo, eu tinha 29 anos; hoje, eu tenho 53. E eu encontro as pessoas que eram crianças na época, hoje, adultas, às vezes com filhos, e quando me veem e falam do Castelo, voltam imediatamente a serem crianças! E fica uma sensação muito maluca: Saber que eu fiz parte da infância desse homem formado, dessa mulher formada e hoje não sentir nenhuma distância entre aquele adulto e o adulto que eu sou. Então, eu queria falar dessa dinâmica do tempo nessa história e o Maurício acabou escrevendo esse texto brilhante e dirigindo de forma também brilhante o espetáculo.

ASSISTA A TRECHOS DO ESPETÁCULO


APS – O que o público pode esperar do espetáculo deste sábado?   

Cássio – Além de um espetáculo divertido, nós estamos trabalhando com a linguagem de projeção, o que dá uma dinâmica atualizada pra essa juventude que está acostumada com o digital. Nós conseguimos fazer esse grude no tempo: trazer o Castelo para essa coisa tecnológica, sem perder o encanto e a dinâmica da infância em que o Castelo foi criado e a gente consegue falar de temas que são importantes hoje para adultos e crianças.

APS – Pra encerrar: Quais são os planos do Cássio para o futuro?

Cássio – Eu estou ensaiando um espetáculo com direção do Jô Soares que estreia no dia 5 de maio no Teatro Tuca, que se chama “Noite de 16 de Janeiro”, e eu devo seguir com ele até dezembro. Estou dirigindo um projeto no Teatro Municipal de São Paulo que se chama “Meu Primeiro Municipal” e eu estou dirigindo o programa que fala sobre o Villa-Lobos, chamado “Estação Villa-Lobos”. É um espetáculo feito com alunos de um projeto ligado ao Municipal e estreia no dia 14. São 16 cantores, 14 músicos e um ator. E o Nino deve re-estreiar em meados de julho ou agosto aqui em São Paulo.