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Pega-Pega ‘pegou’ o público

Crítica final à novela de Cláudia Souto
Por Antônio Pedro de Souza

Ah! O velho embate público X crítica. Nem sempre os jornalistas especializados em uma determinada área entram em acordo com os espectadores em relação a obras, sejam elas filmes, novelas, musicais, discos, livros… quem está errado nesta “disputa”? Oficialmente, ninguém! Para o autor, se os críticos e espectadores gostarem da obra, significa que ela foi um sucesso absoluto. Mas, e se apenas uma dessas partes aprova o trabalho – ou aprova mais que a outra?

Bom, é claro que ter Fulano, melhor colunista do Brasil falando bem do seu trabalho, dá um brilho maior a sua obra, mas por questões de retorno, geralmente é atrás do gosto do público que os autores correm. Afinal, uma obra bem avaliada pelo público pode render mais trabalhos para o autor e mais trabalhos rendem mais reconhecimento, mais remuneração e por aí vai.

Foi o que aconteceu com a autora Cláudia Souto que disse recentemente em uma entrevista que estava feliz porque o público havia gostado de sua novela Pega-Pega, encerrada esta noite na Globo.

Inicialmente chamada de Pega Ladrão, pois trataria do roubo milionário de um hotel no Rio de Janeiro, a trama teve seu nome trocado para Pega-Pega  poucos dias antes da estreia e, na época, a própria autora justificou a troca dizendo que as tramas iriam além do roubo. Anunciada como uma comédia policial romântica, a história seguiu essa premissa: havia, sim, o enredo policialesco, que era entremeado por dezenas de histórias de amor que, por sua vez, eram regadas com deliciosas pitadas cômicas.

Pega-Pega também funcionou melhor que Pega Ladrão pois, no núcleo policial, não foi apenas o caso do roubo que vigorou durante os meses de exibição. Houve o assassinato da Mirela, o sequestro do Don, os crimes de Ataíde, a falsa morte de Arlete… enfim. Foi um verdadeiro “pega-pega”. Um intrincado jogo de gato e rato ou de polícia e ladrão.

No começo, alguns críticos falaram mal do uso de uma “canguru” que ganhava vida. Eu gostei do uso do artifício (http://antoniopedrodesouza.blogspot.com.br/2017/06/contrariando-os-demais-criticos-vou.html, http://antoniopedrodesouza.blogspot.com.br/2017/06/sobre-canguru-animada-de-pega-pega.html, http://antoniopedrodesouza.blogspot.com.br/2017/06/a-trama-do-roubo-em-boas-cenas-de-acao.html). Depois, alguns críticos falaram mal do ritmo ou das tramas simples.

Neste embate, fiquei do lado do público: a novela foi ágil, trouxe tramas simples, mas que propuseram boas reflexões sobre ética, família, relacionamentos e o melhor: arrependimento e nova chance para recomeçar.

Cláudia Souto soube dosar bem a complexidade de alguns temas como barriga de aluguel e sequestro de menores, com a leveza que o horário das sete da noite pede. As referências também não falharam, sendo uma das últimas – e talvez mais marcantes – a fala da personagem Antônia (Vanessa Giácomo) ao prender Ataíde (Reginaldo Faria) no último capítulo: “Desta vez a história é outra. Você não vai dar uma banana para o Brasil.” Para quem não conhece ou lembra, foi um personagem vivido por Reginaldo quem deu uma “banana” ao conseguir escapar ileso no último capítulo da mítica Vale Tudo. No sábado, 05 de janeiro, completaram-se 29 anos desta cena icônica.

Outra coisa interessante foi a punição dos criminosos da novela. Longe da famigerada “desvilanização” que ocorre comumente, em Pega-Pega muitos até se arrependeram e se regeneraram, mas todos foram punidos.

Do, talvez, mais inocentes de todos os ladrões, Júlio, ao já citado mal-caráter Ataíde e sua esposa assassina Lídia, todos acabaram pagando por seus crimes. No fim, a máxima de que o bem sempre vence o mal também valeu e os personagens tiveram seus esperados finais: Antônia e Júlio se casam, Arlete e Pedrinho também. Éric e Luiza têm seu bebê e assim por diante.

Rolou até um crossover com a próxima novela, Deus Salve o Rei. E para quem imaginou onde uma novela medieval poderia se encontrar com uma trama contemporânea, a resposta veio no sonho do espevitado Gabriel.

Por fim, rolou a clássica homenagem ao elenco/produção da novela, muito comum em novelas dos anos 1980/90, em que todos se reuniam na cena final. Em Pega-Pega, o desfecho se deu no casamento de Antônia e Júlio, ao som da banda mineira Skank, tocando o tema de abertura.

Se a maioria dos críticos vai continuar achando que Pega-Pega não valeu, eu continuo do lado do espectador e da autora. Pega-Pega valeu, sim. E pegou, literalmente, o público! Que venham novos trabalhos de Cláudia na TV…