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A Força de Glória Perez

Autora mostra seu talento ao cativar e também abordar assuntos polêmicos em sua obra
Por Antônio Pedro de Souza

Glória Perez voltou ao patamar merecido de grandes nomes da TV brasileira com A Força do Querer, cujo último capítulo acabou de ser exibido pela Rede Globo. Autora das mais versáteis, Glória não economiza polêmica em suas tramas, falando um pouco sobre tudo em seus vários folhetins.

História

Inicialmente colaboradora de Janete Clair, Glória tem um passado brilhante na TV. São dela as novelas Barriga de Aluguel (1990/91), cuja trama versava sobre um casal que recorria a uma mãe de aluguel para gerar um bebê. O conflito se dava depois que a mãe contratada ficava doente e descobria que não poderia ter mais filhos resolvendo, então, a ficar com o bebê gerado. A discussão ética sobre o tema ganhou espaço na época.

Ainda em 1990, ela escreveu a minissérie Desejo sobre um triângulo amoroso em que o escritor Euclides da Cunha se envolveu. Dois anos depois, a autora estreava na faixa das 20h com De Corpo e Alma. A novela acabou marcada pelo assassinato de Daniela Perez, filha da escritora. Daniela integrava o elenco da trama, assim como seu assassino, Guilherme de Pádua, que foi preso pelo crime.

Em 1995, substituindo o sucesso A Próxima Vítima, de Sílvio de Abreu, Glória estreou Explode Coração, primeira novela a ser gravada nos recém-inaugurados estúdios do Projac, em Jacarepaguá. A novela ainda inseriu o chamado merchandising social, que é quando alguma causa, que extrapola os limites da ficção, é usado na trama. No caso de Explode Coração, uma das personagens tinha o filho sequestrado e a novela começou a exibir fotos de crianças desaparecidas na tela, além de colher depoimentos dos parentes. Quando chegou ao último capítulo, 64 crianças haviam sido encontradas pelas respetivas famílias. A novela também abordou a cultura cigana, mostrando um pouco dos contrastes entre as tradições de duas pessoas que se amavam, mas tinham origens bem diferentes.

Em 1998, foi ao ar Hilda Furacão, minissérie inspirada no livro homônimo de Roberto Drummond que, por sua vez, inspirou-se em uma personagem real da Belo Horizonte dos anos 1950/1960. Estrelada por Ana Paula Arósio, como Hilda, a minissérie causou barulho por conta de suas cenas de nudez e a relação de uma prostituta com um padre.

Ainda em 1998, Glória escreveu Pecado Capital, refilmagem da novela original de Janete Clair. O tema central era a honestidade: Carlão, taxista, encontrava em seu carro de trabalho uma mala com muito dinheiro. A mala pertencia a um bandido. O que fazer? Ficar com o dinheiro e ajudar a família ou devolver?

Três anos depois ela escreveria um dos maiores sucessos de sua carreira: O Clone, que inovou ao abordar a cultura islâmica, dependência química e genética. Em 2005, a sociedade americana foi retratada em América, novela que mostrou ainda as festas de rodeios pelo Brasil. Entre os vários temas transversais estavam a cleptomania, o homossexualismo e o combate à pedofilia.

Em 2007 foi a vez de Amazônia – De Galvez a Chico Mendes, minissérie que mostrava cerca de 100 anos da história da região Norte do país. Dois anos depois, a cultura indiana foi lembrada em Caminho das Índias. Choque cultural entre brasileiros e indianos, tradições dos dois países, esquizofrenia, delinquência juvenil e uma psicopata sexy vivida por Letícia Sabatella povoaram a trama. Caminho das Índias foi a primeira novela brasileira a ganhar o Emmy Internacional.

Em 2012, o formato de mostrar culturas de dois países parece ter ficado desgastado nas tramas de Glória, mesmo assim Salve Jorge conquistou o público ao abordar o tráfico de pessoas em sua trama central. A novela era ambientada em uma favela recém-pacificada e, além do tráfico humano, trouxe questões como o trabalho doméstico e adoção ilegal.

Em 2013, Glória supervisionou O Canto da Sereia, minissérie policial estrelada por Ísis Valverde, que deu vida à sereia Ritinha agora em A Força do Querer. Em 2014 foi a vez da série Dupla Identidade, thriller com Bruno Gagliasso, Débora Falabella e Luana Piovani sobre um psicopata interpretado por Bruno.

A Força

Fora do ar desde então, Glória retornou à principal faixa de exibição da Globo e subiu a audiência do horário das 21h com A Força do Querer. Aqui, Glória resolveu mostrar apenas as riquezas da cultura brasileira: a história se dividia entre Belém do Pará e Rio de Janeiro. No primeiro capítulo, Zeca e Ruy caem em um rio e têm os seus destinos cruzados para sempre. Clique aqui para assistir à cena em que Rui e Zeca quase se afogam (Todos os vídeos estão no Globo Play. As imagens são de divulgação da Rede Globo).

Ritinha (Ísis Valverde), a protagonista, não era a mocinha e, sim, uma anti-heroína, capaz de truques escusos para subir na vida. Após ter casado com Zeca (Marco Pigossi), ela foge com Ruy (Fiuk) omitindo o fato de já haver trocado alianças e estar grávida. O rapaz casa-se com ela e acredita ser o pai do filho que ela espera.

Zeca tenta reconstruir a vida ao lado de Jeiza (Paola Oliveira), policial e lutadora, mas Ritinha sempre surge nas horas mais impróprias, minando a relação do casal. Paralelo a isso, Bibi (Juliana Paes) dispensa seu noivo Caio (Rodrigo Lombardi) para ficar com Rubinho (Emílio Dantas). No decorrer da trama, descobre-se que Rubinho é traficante e, para surpresa geral, Bibi passa a ajudá-lo no mundo do crime, tornando-se conhecida como Bibi Perigosa. Caio se casa, mas acaba se divorciando logo depois e se envolve com Jeiza.

Nos capítulos exibidos em 19 (clique aqui para assistir) e 20/06(clique aqui para assistir), Bibi entra de vez para o mundo do crime, incendiando o restaurante em que Rubinho trabalhava para eliminar provas que incriminariam Rubinho.

Destaque ainda para a personagem Silvana (Lília Cabral), viciada em jogo que coloca a família em inúmeros apuros; Irene/Solange (Débora Falabella), psicopata que, no passado, matou um homem e agora inferniza a vida do casal Eugênio (Dan Stulbach) e Joyce (Maria Fernanda Cândido).  No capítulo exibido em 27/06, Irene consegue provocar uma reação alérgica em Joyce, impedindo que ela viaje com Eugênio. 

O casal, aliás, foi o que mais enfrentou tornados durante a trama: além de serem os pais de Ruy e serem atormentados por Irene, a filha Ivana (Carol Duarte) se revela transexual no meio da trama, abrindo assim uma discussão sobre o tema. Inicialmente, Joyce não aceita a transexualidade da filha, mas depois que ela é atacada na rua e perde o bebê que estava esperando após uma rápida relação com Cláudio (Gabriel Stauffer), Joyce passa a aceitar a situação. Além de ter aberto espaço para falar sobre a transexualidade, Glória também abordou a homofobia, já que os homens que agrediram Ivana, que a essa altura já atendia pelo nome de Ivan, o fizeram porque o julgaram um “homem gay”.

No capítulo exibido em 29/08, Ivana conta à família que é transexual. No mesmo capítulo, ela aparece com um corte novo de cabelo. Em 31/08, Ivan aparece de barba pela primeira vez.

Redonda, a trama não teve a desconfortável “barriga”, aquele período da novela em que nada acontece. A cada fim de capítulo um ótimo gancho prendia a atenção para o dia seguinte. Na última semana, Irene é desmascarada, sofre uma queda em um fosse de elevador e morre. Ao contrário de outras novelas, a morte da vilã não se transformou em um “quem matou?”, diminuindo assim o número de assuntos a serem resolvidos no último capítulo, que já não eram poucos.

A morte de Irene mesclou elementos sobrenaturais, cosplays e perseguição por corredores escuros.

Merecerem ser citados ainda os atores infanto-juvenis que brilharam na trama. Dedé (João Bravo), filho de Bibi e Rubinho; Yuri (Drico Alves), filho de Heleninha (Totia Meireles) e Junqueira (João Camargo) e Ruyzinho (Lorenzo Souza), filho de Ritinha e Zeca (até o penúltimo capítulo, Zeca pensava que o menino era filho de Ruy).

Alguns coadjuvantes também cresceram e, por vezes, tomaram a dianteira na trama: Nonato (Silvero Pessoa), como o motorista de Eurico (Humberto Martins), mas que à noite se travestia de Elis Miranda para fazer shows. Biga (Mariana Xavier), secretária da empresa de Eurico, no fim torna-se modelo plus-size.

Ainda o núcleo da favela: Sabiá (Jonathan Azevedo), chefe do tráfico; Aléssia (Hilka Maria), namorada do traficante; Kikito (Marcos Junqueira) e Batoré (Daniel Zettel), integrantes do bando de Sabiá; Carine (Carla Diaz), que passa a ser amante de Rubinho durante a trama e sua tia, Jaci, interpretada pela ótima Betty Gofman.

Por fim, o casal Elvira e Junqueira (Betty Faria e Othon Bastos), pais de Caio, que estão no encalço de Irene e Mira (Maria Clara Spinelli), cúmplice da bandida.

E um “ator” chamou a atenção durante os meses em que a trama ficou no ar: Iron, cachorro que dividiu a cena com Jeiza.

Foto: Fábio Rocha – Gshow (Divulgação)

Com temas tão fortes, Glória usou alguns alívios cômicos para atenuar algumas situações, como a cena em que Ritinha sobe no telhado e acaba exibindo a calcinha, em referência às novelas Gabriela, Pecado Capital, Pai Herói e Eu Prometo.

Reprodução: Globo Play

O pai de Zeca, Seu Abel (Tonico Pereira) e a mãe de Ritinha, Edinalva (Zezé Polessa) também protagonizaram boas cenas, num eterno jogo de gato e rato, que incluiu ainda a ex-mulher de Abel, Almerinda (Fafá de Belém).

Completaram as cenas engraçadas, praticamente todas as que Elvira interpretou. A personagem chegou na metade da novela e circulou por todos os núcleos, sempre com trajes, modos e linguajar extravagantes.

Desfechos

No penúltimo capítulo, já totalmente desiludida com Rubinho, Bibi vai à delegacia e se entrega, afinal, ela fora responsável por um incêndio em um restaurante no decorrer da trama.

No último capítulo, Bibi é presa e Caio diz a ela que, provavelmente fará uma especialização fora do país. Ritinha (sempre ela) foge para Parazinho com Ruyzinho deixando Zeca e Ruy apreensivos. Elvira briga para reaver suas joias que haviam sido roubadas por Irene e, após a morte desta, confiscadas pela polícia. Eurico (Humberto Martins) fica boquiaberto ao ver Nonato (Silvero Pessoa) travestido de Elis Miranda no palco do desfile. Caio conta para Aurora (Elizângela) que Bibi foi presa. Silvana chega em casa com Simone (Juliana Paiva) e a moça acaba sendo feita de refém pelo agiota que estava chantageando a personagem viciada em jogo.

Paralelo a isso, Nonato conta para Eurico que é um artista e que chegou ao Rio de Janeiro para tentar a fama. Eurico oferece patrocínio para Nonato.  Jeiza chega ao local onde o agiota (Rodrigo Rangel) faz Simone de refém e começa a negociar com ele. Eurico chega e um policial disfarçado de repórter salva a moça. Desesperada, Silvana conta toda a verdade para Eurico. Silvana foge e se interna em uma clínica de recuperação. Caio e Jeiza conversam sobre o caso em um restaurante. Jeiza conta que irá para Las Vegas disputar o cinturão no UFC e Caio conta que irá para Israel por dois anos fazer um curso de especialização. Sem brigas, os dois rompem o namoro. Carine (em alusão a O Clone) dança para Rubinho. Aurora visita Bibi e diz que irá apoiá-la até o fim. Ivan retira as bandagens após a cirurgia de remoção dos seios e se alegra. Eugênio e Joyce ficam felizes pela filha.

Desiludida com os “amores” que passaram em sua vida, Cibele (Bruno Linzmeyer) resolve se casar, mas não revela com quem. Algum tempo depois, Jeiza sobe o morro em uma missão para tentar recapturar Rubinho e Sabiá, que haviam saído em um indulto no Dia das Crianças e não retornaram à prisão. Rubinho se volta contra Sabiá e os dois iniciam uma batalha pelo controle do tráfico na região. Sabiá acerta Rubinho, mas antes de matá-lo é atingido por Jeiza e preso. Rubinho morre. Em geral, o bando de Sabiá é preso e Kikito assume o controle da região. Carine resolve ficar do lado de Kikito. Bibi fica sabendo na prisão que Rubinho morreu. Aurora e Yuri, vestido de Goku, consolam Dedé. Zeca chega a Parazinho em busca de Ritinha e Ruyzinho, mas a moça foge com o menino. Ele observa, da margem do rio, o barco se afastar.

Zeca pega outro barco e vai atrás de Ritinha. No Rio de Janeiro, Silvana participa de uma reunião para jogadores compulsivos e recebe o apoio da família. De volta ao Norte do país, entre o Acre e Belém do Pará, Zeca navega às cegas pelo rio e Ruy anda pelas margens quando uma tempestade cai sobre a região. Zeca cai no rio e Ruy vê. A situação remete ao primeiro capítulo quando Ruy cai na água e Zeca tenta salvá-lo. Os dois percebem que são os meninos do passado graças à pulseira dada pelo índio e acabam sendo levados pela correnteza. Nas margens, o índio da tribo Ashaninka resgata os dois unindo novamente os cordões. Já acordados, o índio revela que o rio que os separou, também os uniu “na forma de menino”, em alusão à profecia feita no começo da novela e também a Ruyzinho, o menino que, de certo modo, uniu os dois personagens afinal, Ruy o criou, mas Zeca é o verdadeiro pai e foi em busca da criança que os dois homens caíram novamente no rio.

Bibi sai da cadeia em liberdade condicional e reencontra a mãe. As duas se abraçam emocionadas. Na Estudantina, Alcione faz um show. Cláudio entra no local e pergunta à Simone por Ivana. Simone lhe apresenta Ivan. Os dois se olham assustados e Cláudio vai embora. Ivan fica arrasado e se consola nos braços da prima. As amigas contam para Cláudio que Ivan é transexual. Reconciliados, Ruy e Zeca começam a trabalhar juntos e Dantas conta para eles que Ritinha está trabalhando como sereia em um parque temático de Las Vegas. Eles vão até o local e se reencontram com ela no aquário. No quarto do hotel em que está hospedada, Ritinha conversa com os dois e diz que não voltará tão cedo para o Brasil. Jeiza e Zeca se encontram nos Estados Unidos. Alan explica para Jeiza o motivo e Zeca e Ruy estarem em Las Vegas. Jeiza inicia sua luta no UFC.

A luta começa e a adversária de Jeiza é de Minas Gerais, uma sequência eletrizante de golpes é mostrada e termina o primeiro round. Começa o segundo round e Jeiza é golpeada sucessivas vezes, Zeca assiste a luta na plateia. A lutadora lembra de seus combates anteriores. Zeca grita palavras de incentivo e ela consegue reagir. Termina o round. No terceiro round, Jeiza nocauteia sua adversária e vence a luta, comemorando no ringue com seu treinador e com Zeca. Os dois se beijam apaixonadamente. Na sequência, ela ergue a bandeira do Brasil e abraça a oponente.

Cibele acaba se “casando” com ela mesma. E explica o motivo: “por que ficar esperando esse príncipe encantado? Esse homem perfeito? Não que eu não vá encontrar ninguém… mas, eu aprendi a gostar de mim. Então, hoje eu vou me casar comigo!” Ivan vai à praia e fica bem por poder ficar sem camisa. Ritinha faz sucesso pelo mundo como sereia. Ruyzinho une as famílias de Zeca e Ruy. Nonato sobe ao palco em homenagem à Rogéria. Eurico procura uma peça para Nonato encenar. Biga faz sucesso como modelo. Silvana continua nas reuniões dos jogadores compulsivos. Elvira recupera as joias, mas não os dólares. Abel e Edinalva se casam. Iron, o cachorro de Jeiza, se aposenta. Jeiza e Zeca têm gêmeos: Jeizinha e Zequinha. Bibi trabalhou, conseguiu uma bolsa, voltou a estudar e escreveu seu livro. A cena trouxe ainda a participação de Fabiana Escobar, a “Bibi Perigosa” da vida real. Anos depois, Caio volta ao Brasil e se reencontra com Bibi. Os dois reatam. Cláudio encontra com Ivan na praia. Os dois dão um “selinho” e correm para o mar. A narração final fala que, quando acompanhamos nossa “força do querer”, podemos atingir nossos sonhos, mas temos que tomar cuidado com o canto enganoso das sereias, ou seja: as ilusões, os falsos caminhos que, muitas vezes, parecem mais fácil:  “quando a gente é movido pela ‘força do querer’, pode fazer o impossível se tonar possível, mas é preciso sempre cuidado para não perder o rumo, escutando o canto enganoso das sereias”. A cena mostra Ritinha nas águas e é congelada, aparece o letreiro “Fim”. Sobem os créditos.

Reprodução: Globo Play

Ela teve a força…

Seja pela eliminação da cultura de um segundo país – o que evitou as mirabolantes e repetitivas viagens entre continentes vistas nas novelas anteriores – ou pelos assuntos fortes retratados em seus 173 capítulos, A Força do Querer conseguiu levar Glória Perez de volta ao topo da teledramaturgia, deu um novo gás ao horário nobre da Globo e provocou discussões nas ruas e nas redes sociais. Podemos dizer que a autora cumpriu com seu papel de provocar, mas além disso, de promover o diálogo. Afinal, é preciso entender que as diferenças existem e precisamos lidar com elas. Combater o preconceito, o discurso de ódio e os extremismos é preciso e Glória, com uma boa e convincente trama, conseguiu exatamente isso. Há tempos precisávamos de uma novela assim, que colocasse o dedo na ferida e nos fizesse refletir sobre o mundo a nossa volta. A novela conseguiu o que parecia impossível em tempos de internet e serviços de streaming: seus capítulos conseguiram, na maioria das vezes, ultrapassar os 40 pontos de audiência. Que esta não seja a última e, sim, apenas a primeira de uma série de boas novas novelas das nove da noite… “Égua!”